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Paixões da história...


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Evoca o mundo a paixão e morte de Jesus Cristo em meio a um dos ciclos temporais mais tumultuados e agressivos de sua longa história. Testemunham-no os penosos acontecimentos que vêm ocorrendo em capitais, cidades e vilas de quase todos os países, dos quais falam repetidamente os meios de comunicação social, sempre tomados por assuntos do gênero. No Iraque, por exemplo, explosões em edifícios e vias públicas e assassinatos de líderes políticos, assim como de civis e militares, aos quais se incluem crianças e idosos de ambos os sexos, estão apavorando terrivelmente o universo. Em regiões européias idem, idem e mais idem, não se podendo esquecer de sucessivos atentados em inúmeras áreas nas quais já perderam a existência volumosas legiões de homens e mulheres.

Outros, mais recentes, se destacam na Espanha, em Madrid, cujo povo, tão pacífico e cordato, lamenta e chora o sacrifício de centenas de seres. O mesmo ocorre em outras esferas terrestres, Brasil inclusive, onde, paralelamente com desmedidas violências urbanas, tendo como autores até mesmo crianças, as rebeldias político-administrativas, envolvendo ministros, secretários, parlamentares e prefeitos, estão despontando abusivamente em importantes locais, inquietando as sociedades sujeitas a revides delituosos.

É o mundo se revolvendo em um clima que vai militando no sentido de martirizar fisicamente sua milenaríssima população, submetendo-a a sacrifícios semelhantes aos impiedosamente impostos a Jesus Cristo, face ao que se tem a severa convicção de que se repete, neste 2004, a dolorosa paixão e morte do Salvador, característica dos primeiros tempos da humanidade, estando aí a história reproduzindo nos cristãos de hoje o holocausto vivido pelo Senhor de todos os tempos, que emitiu o seu derradeiro lamento no alto do Gólgota, mãos e pés presos na tristeza da enorme cruz, ganhando ali a glória da ressurreição.

O que esperar-se para os flagelados de hoje, diante das desumanidades iguais ou quase iguais que enlutecem céus e terra? Obterão igualmente o esplendor da ressurreição, supliciados que são pelas dolorosa cruzes desta tresloucada modernidade? Ou estarão sendo convertidos em outros Cristos, não escondidos no pão e sim nas deploráveis paixões humanas? É a nossa pergunta.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Ainda que o desprendido homem exterior se corrompa o interior se renovará a cada dia. II Coríntios 4.16”.

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