Tribuna do Leitor

Bauru - sanduíche no chapão


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Não devemos ficar remoendo coisas do passado, nem é salutar sofrer por águas passadas pelo moinho, pois com certeza não irão move-las novamente. Entretanto, otimismo tem limites, paciência também, e não há como não ficar indignado, enojado e perplexo com tudo que vem ocorrendo sistematicamente em nossa cidade desde 1996. Eleições, promessas, reeleições, prisões, cassações, mentiras, injúrias, lamentações, promessas vazias, cidade abandonada, ruas esburacadas, muros pichados, acusações, licitações fracassadas, governos incompetentes, mais cassações, compras com pagamento sem o recebimento, dívidas enormes e dúvidas maiores ainda na cabeça do povo sofrido de Bauru.

Essa tem sido a ladainha dos últimos oito anos: empresas fugindo da cidade, futebol de terceira, basquete de primeira e muita confusão à revelia do povão. Até quando, senhores? Que mais precisaremos ouvir em fitas, entrevistas e no plenário da casa do povo. Seria tão simples se o simples fosse feito, mas ao invés disso vivemos de promessas, outdoors e fantasias sem carnaval. Andamos por estradas desertas na contra mão do progresso e do desenvolvimento.

Seria tão bom se ao invés de buracos tivéssemos empregos, se ao invés de edis viajantes tivéssemos defensores incondicionais e constantes do nosso vil metal. Porque é tão difícil trabalhar com o povo, para o povo e pelo povo, sem a necessidade da formação de “chapões”, conchavos e tantas outras armações ilimitadas. Como pode uma cidade sobreviver há tanto caos, tantas acusações, julgamentos, decisões e liminares, quando sua gente precisa de coisas tão simples como trabalho, honestidade e determinação de seus políticos. Bauru é mais forte do que muitos imaginam, pois nem Kosovo, nem Beirute sobreviveriam há tantos desmandos, tanta indefinição, durante tanto tempo. É inominável o que estão fazendo com a cidade sem limites, é triste ler o jornal dia após dia e perceber que nada muda na cidade de Bauru. O desenvolvimento inexiste, a autoridade se esconde atrás de falácias e promessas de recomeço a cada nova liminar vencida, enquanto a oposição brada novas acusações, que trazem mais lama que as chuvas de verão para as avenidas esburacadas da cidade.

Vergonha é o que sentimos e o que não enxergamos em acusados e acusadores nessa briga de esquina mal iluminada. Herança depois de oito anos de gestão? Criação da CIP – Contribuição de Iluminação Pública e Taxa do Bombeiro. Essa é a obra que fica para a posteridade, duas gestões perdidas que jamais serão recuperadas, pois o tempo não para no porto, não apita na curva e não espera ninguém, já dizia o poeta.

Rafael Moia Filho - RG 3109.2232

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