Lula prometeu melhorar os salários dos servidores. Deu 1% de aumento aos servidores em 2003 e ameaça com 2,6% em 2004, elevando as perdas para mais de 128%. O FMI impôs, Lula propôs e o Congresso impôs cobrar 11% de inativos que estão há anos sem aumento e com mais de 128% de perdas salariais. Além disso: reduziu as pensões a 70%. Lula isentou caloteiros que devem mais de R$ 400 bilhões ao Tesouro e ao INSS e evitou a prisão de sonegadores através do REFIS II. O espetáculo do crescimento virou decepção. Haja desemprego, fome, miséria. Educação, saúde, segurança e estradas foram reduzidas a escombros.
Berzoini mandou cadastrar velhinhos de 90 anos para que provassem em filas imensas que estavam vivos! Um horror! Cristóvão Buarque, referência no PT na educação, votou a favor da cassação da senadora e dos três deputados do PT, e foi demitido, por telefone, num bar de Lisboa, de tanto reclamar da falta de dinheiro para seus projetos.
Humberto Costa transformou o Inca, de uma instituição de referência, em balcão de influências. “Professor” Luizinho elegeu-se às custas das entidades de classe dos professores de São Paulo e tornou-se o maior inimigo de seus eleitores, trocando o giz pela caneta da maldade. Henrique Meireles, do Banco Central, elegeu-se pelo PSDB a peso de ouro, porém foi escolhido a dedo pelo PT para atender os banqueiros internacionais com juros de l6,5% enquanto nos Estados Unidos é 1,5% ao ano!
Palocci disputa o poder com José Dirceu e criou a Cofins cumulativa, aumentando a carga tributária de 3% para 7.6%. José Dirceu, o superministro, o primeiro-ministro, é suspeito de ter o seu PC Farias de nome WD (Waldomiro Diniz) que cobrava propina de bicheiro, bingueiro e caçador de níquel. José Genoíno, ex-guerrilheiro no Araguaia, agora passa por dedo duro de seus companheiros mortos.
Na Previdência Social apregoavam uma nova era: incorporar os 40 mil informais; aumentar o numero de fiscais, colocar na cadeia os caloteiros, realizar concurso público para preencher mais de 20 mil cargos vagos, criar novos postos de atendimento, acabar com as filas, entregar os postos chaves INSS aos servidores e fortalecer a SPC para fiscalizar melhor a previdência privada. Infelizmente, a Previdência foi fatiada e ocupada por uma leva de pelegos sem capacidade de legislar para 22 milhões de aposentados e os 28 milhões de segurados; criaram o Refis 2; o rombo aumentou e beira os R$ 25 bilhões; a dívida a receber cresceu mais de R$ 50 bilhões e bateu os R$ 200 bilhões; a sonegação passou dos R$ 32 bilhões; as renúncias estão chegando a R$ 15 bilhões. A Previdência virou um queijo suíço, está nas páginas policiais e teme-se sua privatização. Estas são algumas das contradições do PT. Por enquanto, o que reforça a tese segundo a qual nada mais se parece com o governo do que a oposição no governo.
O autor, Paulo César de Souza, é vice-presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social-Anasps.