Com análises pontuais, o padre Luís Carqueijo Sé, o pastor Edson Valentin e o médium espírita Richard Simonetti recomendam o filme “Paixão de Cristo”, que está em cartaz nos cinemas de Bauru. O filme, sob a direção de Mel Gibson, retrata as últimas 12 horas da vida de Cristo e recebeu críticas pelas cenas de violência.
O pastor Édson Valentin, membro do Conselho dos Pastores de Bauru, concorda com essa crítica, mas afirma que a violência não tira o mérito da produção. “Acho que passou um pouco do ponto, mas não é tão assim”, diz.
Para ele, a discussão sobre o filme não deve centrar-se nas cenas de violência, mas sim no que levou Jesus a morrer na cruz. “A TV e o cinema exibem cenas mais violentas que as do filme, e Jesus realmente sofreu muito na Paixão. O que temos que discutir é o motivo que fez Jesus passar por tudo que passou. Ele passou por tudo aquilo para a salvação de cada um de nós”, frisa. “É sobre isso que temos que refletir”, completa.
O padre Luís Antônio Carqueijo Sé, que recomenda o filme a todos os católicos, diz que a violência das cenas reflete a realidade da época. “A flagelação era uma pena, um castigo. Era violenta porque os instrumentos usados eram muito violentos. A crucificação era uma pena reservada aos amigos do império. Jesus fica pouco tempo na cruz, três horas. Mas uma pessoa forte poderia ficar três, quatro dias na cruz até morrer. Então não me espanto com a violência do filme”, explica. “Dos filmes que eu vi, esse é um dos mais fiéis à Sagrada Escritura”, completa.
Mensagem
Para ele, a produção de Mel Gibson consegue passar a mensagem da Paixão de Cristo. “O filme é centrado no sofrimento, mas várias cenas voltam no tempo e vão para a relação de Cristo com sua mãe, para o sermão da montanha, para a última ceia, e termina com a ressurreição”, enumera. Para Simonetti, o filme A Paixão de Cristo tem várias falhas.
“Duas delas lamentáveis: apresentar um Jesus vacilante e temeroso, incompatível com sua grandeza espiritual, e o exacerbado clima de violência, envolvendo seu martírio. Faltou a Mel Gibson, o diretor, a sutileza dos grandes mestres do cinema. Não obstante é sempre útil recordar o drama da Calvário, ensejando valiosas reflexões a respeito dos sacrifícios de Jesus em favor da humanidade”, afirma.