Economia & Negócios

Bauru abriga 2.223 famílias ricas

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru possui atualmente 2.223 famílias ricas, o que coloca o município na 52.ª posição entre as cidades com maior número de ricos no País. Os dados são do estudo “Atlas da Exclusão Social - Os Ricos no Brasil”, conduzido pelo secretário do Trabalho de São Paulo, Márcio Pochmann. São consideradas ricas as famílias com renda mensal superior a R$ 10.982,00, em valores de setembro de 2003. Em média, a renda mensal dessas famílias era de R$ 22.487,00.

A cidade líder do ranking é São Paulo, com 443.462 famílias ricas. Dos municípios do Interior, Campinas é o que abriga o maior número de ricos: 13.487 famílias. Sem contar as Capitais de Estado, Bauru está na 30.ª posição. Levando em conta apenas os municípios paulistas, a cidade ocupa o 24.º lugar. Outro município da região que figura entre as 100 com maior número de ricos é Marília, na 73.ª posição, com 1.134 famílias.

Na média geral do Estado de São Paulo, que concentra 58% dos ricos brasileiros, 6,1% das famílias paulistas são consideradas ricas, segundo o estudo. No outro extremo, o Estado do Maranhão concentra riqueza nas mãos de 0,4% das famílias.

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, coordenador do Data-ITE, órgão de pesquisas ligado à Instituição Toledo de Ensino (ITE), o número de famílias ricas de Bauru equivale a cerca de 3% do total de habitantes da cidade. “Com base nesses dados, podemos dizer que quase 10 mil moradores de Bauru são ricos”, diz.

Segundo pesquisa do Data-ITE, a renda mensal per capita do bauruense é de R$ 500,00. O valor, porém, varia drasticamente levando em consideração o bairro em que a família reside, segundo Cafeo. Um chefe de família da Zona Sul ganha cerca de R$ 4.800,00, ao passo que um chefe de família da periferia recebe mensalmente R$ 290,00. “A concentração de renda em Bauru é evidenciada por essas constatações. A diferença entre quem ganha o mínimo e o máximo é muito grande”, afirma.

Cafeo também observa que, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do município, as famílias ricas da cidade concentram 27,6% das riquezas produzidas, aproximadamente R$ 580,8 milhões. O PIB de Bauru é de R$ 2,1 bilhões. “Isso significa que o restante, ou seja, algo em torno de R$ 1,5 bilhão, tem de ser dividido entre os 320 mil habitantes que não estão entre os ricos”, declara.

Perfil

O estudo liderado por Pochmann também analisou o perfil dos ocupados no total das 1,162 milhão de famílias ricas brasileiras - o equivalente a cerca de 900 mil pessoas. Pouco mais de 40% eram altos dirigentes do setor privado, 28,5% eram empregadores, 18% eram trabalhadores por conta própria (consultores e profissionais liberais) e 12,8% eram altos dirigentes do poder público.

Em relação ao grau de escolaridade, 67,2% dos ocupados em famílias ricas haviam concluído o ensino superior, ao passo que menos de 10% não haviam concluído o ensino fundamental ou eram analfabetos. O estudo observa, porém, que esses dados não indicam que um diploma seja o principal veículo de acesso à riqueza. “A associação possível neste caso é que a riqueza permite o acesso mais fácil ao diploma”, conclui o trabalho.

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