Ele, o maior jogador de futebol de todos os tempos.
Ela, a maior ginasta que o Brasil já produziu.
Ambos são negros.
As semelhanças param por aí.
Em recentes entrevistas, Daiane foi muito além de considerações sobre sua especialidade.
Incursionou pelo território das relações sociais e raciais. E confessou já ter sido vítima do racismo.
Nisso, ela se afasta de Pelé. Não que o futebolista jamais tivesse sido discriminado por ser negro. Foi.
A diferença é que Pelé sempre se esquivou de conversar sobre o racismo brasileiro, como se ele não existisse. Omissão que acaba virando cumplicidade.
Daiane, com 21 anos, mostra mais do que sua arte.
Um consciência crítica a serviço da cidadania.
Uma qualidade que, sejamos honestos, não pontifica no perfil de Pelé, 63 anos.
Obrigado, Daiane. (José Eustáquio Assunção - RG. 14.039.234)