Tribuna do Leitor

PAIXÃO DE CRISTO - A REVANCHE


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Difícil falar de “um Deus tão grande e terno”, vou tentar. É lamentável de se ver durante a Quaresma tantas discórdias e falta de união, até entre católicos. O que era para unir, separa. Partindo dessa premissa, o filme não é “recomendável”. O filho do homem veio para unir e não para dividir. Todos têm o direito de ter opiniões próprias, mas o cerne da questão não está sendo discutido.

Não sou especialista em história Antiga e nem em história da igreja. Mas, Ele “desafiou” o Império Romano e cometeu “crime de subversão”, qualquer mortal seria crucificado (era a pena da época). Trágica e injustamente, lutando por justiça morreram também Joana D’Arc, São Pedro, Martin Luther King Jr., Che Guevara, Lamarca, Antonio Conselheiro, Tupac Amaru, etc.

Mas, não consegui ver nas páginas da história nenhum revolucionário, nenhum sociólogo, nem filósofo e nem estrategista político, melhor que Ele. Ele não precisou pegar em armas, incitar guerras, preparar atentados, derrubar impérios. Ele não se exaltava. Ele não gritava. Ele era manso. E Suas palavras e idéias estão atingindo a eternidade, o que prova que Ele estava certo. E ninguém disse tanto, falando tão pouco: “Amem-se uns aos outros como eu os amei.” Só isso basta. Deveria bastar!

Li que o Vaticano abençoou Mel Gibson, mas não indicou o filme para o Oscar de melhores chicotadas. A intenção do americano foi a de obter lucro com o filme e nada mais, ou alguém ainda acredita em coelhinho da Páscoa?

Penso que o sangue que espirra e os pedaços de carne que são arrancados de todos os mortais, todos os dias na pele de palestinos, iraquianos, uzbequistaneses e nas estações de Atocha e Santa Elena, na África que morre de fome e na América Latina e do Sul que pedem esmolas (vou parar por aqui) foi pouco. Era preciso mais.

Não se prendam na violência de Sua morte, mas em Seu modelo de vida ideal e em nossa esperança, ou seja, a ressurreição. A morte é somente um “detalhe” nessa história, gostaria que o filme me levasse a refletir na proposta dos quatro Evangelhos e me ajudasse a tornar-me mais livre de julgamentos, condenações, “pré-conceitos” e mediocridade que tenho tanto. Penso que não são os cursos de mestrado e doutorado que dão credibilidade à expressão, conheço “analfabetos” altamente sábios.

Para conseguirmos a tal credibilidade seria preciso amarmos todas as pessoas indistintamente “como se não houvesse amanhã”. O momento é peculiar: ou mudamos, ou mudamos, precisamos “amar como Jesus amou”. Às vezes, inconformada com injustiças homéricas me pergunto: e Deus? será que Ele não vai fazer nada? Mas, pensei mais um pouco e descobri que Deus não é indiferente, são os homens que são diferentes e não aprenderam a respeitar o “outro”. Segundo o Concílio Vaticano II, a cultura tem um significado na identidade do ser humano, no sentido sociológico e etnológico: “Diversos estilos de vida comuns e diferentes escalas de valor encontram sua origem na maneira distinta de servir-se das coisas, de trabalhar, de expressar-se, de praticar a religião, de comportar-se, de estabelecer leis e instituições jurídicas, de desenvolver as ciências, as artes e de cultivar a beleza” (seja ela qual for). Acho que Deus não tem mais o que fazer, já mandou seu “filho muito amado em quem pus toda a minha afeição: ouvi-o”. Penso que Ele fez sua parte, agora é a nossa vez. (Rosemeire P. D’Ávila - RG 16.434.059)

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