Tribuna do Leitor

31 de março


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A história mal contada tende a ser uma mentira perpetuada. Quando alguém repete críticas ao Governo Militar, tende a ser tão sensacionalista a ponto de esquecer alguns aspectos relevantes da história. Quem, que tendo vivido na década de 60 ou conhecendo a fundo os fatos históricos, é capaz de negar que, em 17/3/64 houve uma manifestação com 500 mil pessoas na praça da Sé, que bradavam em uníssono “1-2-3, Brizola no xadrez” e “verde e amarelo, sem foice e martelo”, numa clara alusão ao repúdio do governo de João Goulart. Curiosamente, essa manifestação (proporcionalmente igual à havida 20 anos depois pelas “Diretas Já”), foi de iniciativa popular e não teve a participação ou incitamento de um militar que fosse, ao contrário daquela havida em 84, que foi deflagrada pela esquerda brasileira.

Àquela época, o povo paulista insurgia-se contra Jango invocando o espírito de 1932, inclusive ameaçando armar-se contra o Governo Federal. Logo, conclui-se que a intervenção militar foi legitimada pelo manifesto popular daquela década. O que incomodava aos brasileiros - e ainda incomoda - é que Jango fazia o jogo da famigerada política do proletariado, e urgia interromper aquele ciclo doentio que hoje vem representado pelo MST, um movimento armado, agressivo e expropriatório, intimista e alarmante, que faz o governo Lula literalmente arriar as calças (com o perdão da palavra) diante de suas invasões aos “latifúndios”. Não se queria, à época, engolir argumentos como o usado pelos atuais presidente e ministro da Reforma Agrária, que afirmam que o MST “é um movimento legítimo”. Difícil crer que alguém, agindo na marginalidade e violência, possa ser legitimado.

Outro ponto relevante é o fato de, em 1967, o Congresso ter sido fechado (e reaberto 2 anos depois). A gota derradeira para isso foi pela recusa, por parte do Congresso, em autorizar um processo de cassação contra um deputado federal, aliás, como agora acontece às escâncaras, com mais de 150 pedidos que empoeiram nas gavetas da Assembléia, isentando deputados e senadores por suas falcatruas. E, ao contrário do que se afirma, ditadura foi o que houve com Salvador Aliende, Suharta, Pinochet, Fidel Castro (amigo íntimo do presidente), Saddam e tantos outros, que contabilizam, cada um, mortos e desaparecidos às dezenas de milhares, em governos ditatoriais sem representação popular. Caso os oportunistas não saibam, o governo militar foi regido pelo bipartidarismo e os desaparecidos e mortos na guerra entre ideologias não passaram de duas centenas.

Ditadura, na verdade, é um presidente dizer “caso encerrado” para o mais recente escândalo do governo, mesmo diante de provas que incriminam seu homem forte, pois que os fatos demonstram que José Dirceu tinha conhecimento, desde 2002, que Valdomiro Diniz estava ligado à máfia dos Bingos e da Loterj, em estreita ligação com outro “bagre ensaboado” que, hoje, é presidente da Casa da Moeda. Ao meu ver, a grande diferença entre os governos militares e os governos civis é que os militares, pelo menos, “jogavam duro” e assumiam com “olhos nos olhos”, conquanto que os governos civis apenas “jogam sujo” e “fingem que não estão vendo coisa alguma”. Mas, isso é a democracia brasileira. Viva a liberdade! (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)

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