Tribuna do Leitor

"DA COR DO PECADO"


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Estão na ordem do dia e envoltos em calorosos debates os temas relativos à discriminação e ao preconceito racial no País, atraindo a participação de segmentos cada vez mais amplos e diversificados da população brasileira.

No contexto, citaríamos a matéria, “A Cor do Sucesso” inserida na revista “Época”, de 6 de março de 2004. Nessa reportagem, o jornalista Cléber Eduardo busca analisar o impacto emocional causado pela novela “Da Cor do Pecado”, que obteve em seu primeiro mês de exibição “o maior sucesso nos últimos dez anos, com audiência de 39 pontos no Ibope (68% dos aparelhos de TV ligados).” Essa telenovela, protagonizada por uma atriz negra (Taís Araújo), começa a quebrar o preconceito racial existente na TV brasileira.

Aliás, cabe observar que a discriminação racial em nosso País, tem uma especificidade que difere do padrão encontrado nos Estados Unidos, preconceito racial de origem, onde se contabiliza somente o branco e o negro - o grupo mestiço não é individualizado como tal, nem na mentalidade coletiva, nem na prática social, nem nos textos legais. No Brasil, vivenciamos o preconceito racial de marca, que ocorre através de sinais observáveis (fenótipos: negro/mestiço), tão nocivo como outro qualquer, pois opera antes pela preterição do que pela exclusão. É ideologicamente ambivalente, pois à aparência misturam-se outros critérios de classificação, tais como: a situação de classe e a distância social. Porém, diferentemente do preconceito de origem não gera ódio racial profundo. Vale ressaltar que o conceito “preconceito de marca” é uma pesquisa de relações raciais do professor e antropólogo Oracy Nogueira.

Já em seu livro “Negro Político, Político Negro”, Oracy conta a vida socio-política do médico negro Alfredo Casemiro da Rocha numa comunidade branca, retirando da concretude da história a difícil inserção na esfera pública, como político (deputado estadual, federal e senador por São Paulo), e a quebra das barreiras do preconceito racial. É uma narrativa expressiva, onde é dosado com maestria o ângulo do indivíduo e o da sociedade, mostrando a dialética do relacionamento entre ambos (indivíduo - sociedade), conseguindo traçar, tanto o destino social da pessoa através da comunidade, quanto o perfil desta.

A título de comentário, é interessante observar como duas adolescentes de nossa cidade, ambas mestiças, “enxergaram” o título da novela “Da Cor do Pecado”: A primeira (14 anos): “O título induz que a mulher negra é altamente sensual”; a outra (17 anos): “Esse título, subjetivamente, mostra que ser negro no Brasil é pecado!” (Tito Pereira - CRO/DF-546)

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