Bairros

"Metrô" funcionou por pouco tempo

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Engana-se quem pensa que a idéia de um metrô de superfície em Bauru é nova. Ela já foi colocada em prática na cidade e funcionou por pouco tempo.

Foi em 1988. O projeto foi do então deputado estadual Roberto Purini. Ele conta que havia um desejo muito grande de diversos setores da sociedade para implantação do trem urbano na malha local.

Segundo Purini, na época, foi realizada uma pesquisa que teria apontado a aceitação do metrô de superfície, indicando que o sistema teria quantidade de passageiros suficiente para funcionar. “Não foi de forma empírica. Ajudaria pessoas do Distrito Industrial, do Núcleo Octávio Rasi, entre outros bairros”, argumenta.

O sistema foi implementado na linha da antiga Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), no trecho que ia da Estação da Noroeste do Brasil (NOB), na praça Machado de Mello, à Vila Aymorés. As passagens eram subsidiadas pelo governo estadual.

“O Estado preparou tudo - locomotiva, vagões, etc. O problema era o custo de manutenção”, justifica o ex-deputado estadual.

O trem funcionou durante quatro meses. A linha foi desativada por falta de passageiros. “A perspectiva era de ampliar a linha, mas a pesquisa não refletiu a realidade. Não houve interesse. O trem viajava vazio”, conta Purini.

Ele acredita que as pessoas não aderiram à idéia por estarem acostumadas aos pontos de ônibus próximos aos locais de destino. No caso do trem, quem ia para o Centro só teria como opção descer na praça Machado de Melo.

“É como a passarela. Se o cidadão tiver que andar 30 metros para passar por ela, ele prefere correr risco de vida pela estrada”, avalia.

A falta de passageiros é argumento utilizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para indicar a inviabilidade de trens no transporte coletivo urbano atualmente.

“Não temos número suficiente de passageiros para justificar isso. No estágio em que a cidade se encontra, não é interessante o sistema interligando o trem. Bauru é muito pequena para ter essa integração. É diferente de Campinas e São Paulo”, argumenta o presidente da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior.

Ele explica que o sistema de trens é mais econômico a longo prazo, mas demanda investimento inicial muito grande. Seria necessário investir em trilhos, comprar trens confortáveis, recuperar estações. Tudo isso porque a malha atual não estaria em condições adequadas para receber passageiros.

“Tem estrutura? Tem e não tem porque os trilhos são duvidosos. Seria interessante se tivesse um grande investimento. Não adianta fazer qualquer coisa numa estação”, enfatiza Fantini Júnior.

“Hoje, com o porte de Bauru, não é viável. Tanto pelo investimento quanto pela praticidade”, frisa o presidente da Emdurb.

Já o ex-deputado Roberto Purini considera a idéia “interessantíssima”. “Acho que o trem é uma condução que pode transportar mais pessoas com mais rapidez. Infelizmente os trens se acabaram. Acho interessante a volta deles”, reforça.

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