Localizada no Oceano Pacífico, a 3.700 quilômetros do Chile e a 4.050 quilômetros do Taiti, a Ilha de Páscoa é um dos lugares habitados mais isolados do mundo. Originada a partir de erupções de centros vulcânicos (hoje inativos), a ilha é famosa por abrigar aproximadamente mil gigantescas esculturas feitas em pedras vulcânicas.
Algumas lendas trazidas pela tradição oral atribuem poderes sobrenaturais a esses monolitos, chamados de moais, que tinham a função de proteger a civilização. Embora não existam registros históricos, estudos dizem que os primeiros nativos chegaram na ilha há 1.500 anos.
Envolta em mistérios sobre sua civilização, a Ilha de Páscoa exerce um grande fascínio para o homem moderno, que há várias décadas busca descobrir e preservar seus detalhes históricos, como o arqueólogo Gonzalo Figueroa. Nos anos 50 ele realizou estudos para restaurar os monumentos dessa região.
Não foi diferente para o artista plástico e caricaturista chileno Gonzalo Cárcamo, que após passar quatro meses na ilha, em 1984, conseguiu reunir material suficiente para produzir uma interessante exposição sobre a cultura pascoense. A mostra, inaugurada na última semana no Serviço Social da Indústria (Sesi) pode ser apreciada gratuitamente até sábado.
Composta por 45 trabalhos pintados em óleo sobre tela, além de desenhos em nanquim e grafite, a exposição é um verdadeiro convite a conhecer a história da Ilha de Páscoa. A começar pelo extenso painel explicativo posicionado na entrada da mostra, que tem a função de informar ao visitante dados geográficos, características culturais e alguns estudos relacionados à origem da civilização pascoense.
“Acho importante compartilhar com o público essa interessante cultura. Minha missão não foi desvendá-la, mas sim interpretá-la”, aponta Cárcamo, em entrevista concedida por telefone ao Jornal da Cidade.
Chamado Ilha de Páscoa pelo almirante holandês Jacob Roggeveen - que desembarcou na região no Domingo de Páscoa e Ressurreição, em 1722 - o território recebeu, ao longo da história, diversas denominações. Entre elas Rapa Nui (grande ilha austral da Oceania), Te Pito o The Henna (o umbigo do mundo) ou São Carlos (nome dado pelos espanhóis).
A segunda parte da mostra traz um painel com desenhos e caricaturas que retratam os nativos que habitam o atual povoado da ilha, Hanga Roa. A série inclui ainda guardas-florestais e paisagens típicas da região, como os vulcões e as ilhas. Os destaques são as obras “Baía de Hanga moana, vero vero” e “Vulcão Rano raraku” - que ressaltam a geografia do território - e o quadro “Ricardo Hito em Hanga Roa”, mostrando a expressão de um nativo.
De acordo com investigações, a ilha chegou a abrigar dez tribos diferentes, entre índios americanos e polinésios pré-históricos. Dona de uma escrita inigualável que até hoje não pôde ser decifrada, essa sociedade se organizou a partir do poder aristocrático centrado em conhecimentos sistemáticos dos movimentos solares.