Para que a produtividade cresça e o setor rural seja um dos propulsores da economia de Bauru, é necessário mais atenção do poder público a essa área. Essa é a opinião de agricultores que vivem da exploração da terra no município.
De acordo com Paulo Rangel Filho, produtor de abacaxi, café e suinocultor, o município precisa apagar a imagem negativa no que diz respeito ao setor rural. “Bauru não tem tradição nessa área e não é vista como um pólo do agronegócio, embora tenha potencial para isso”, afirma.
Para ele, falta vontade política. “Nós estamos vivendo um momento triste no setor político e isso se reflete em todos os outros segmentos da cidade, inclusive no campo”, diz.
Com reputação arranhada, o município não consegue atrair novas culturas e incentivar os produtores a investirem na produtividade. “E tem mais: além de não incrementar a sua produção agrícola, ainda está perdendo o que tem para outras cidades”, destaca.
Ele mesmo é um exemplo de produtor que está em busca de novos ares para melhorar o desempenho de seus negócios.
Por estar encontrando condições mais adequadas nos municípios vizinhos, ele está transferindo sua produção de abacaxi para Avaí e Presidente Alves. “Lá estou encontrando uma estrutura mais adequada, coisa que falta em Bauru”, destaca.
Já Marcelo Bueno Gaio, produtor de hortaliças orgânicas, acredita na união de forças do segmento rural para erguer o setor. “Quando as pessoas se agrupam para buscar melhorias, elas vêm de maneira mais rápida.”
Ele diz isso com base em experiência própria. Desde que começou a plantar orgânicos, há quatro anos, buscou o associativismo para aperfeiçoar seus métodos e incrementar a colheita. “O apoio do governo é bem-vindo, mas é preciso tomar a iniciativa. Em grupo, isso é ainda mais fácil”, destaca.
O produtor de verdura hidropônica Marcos Gomyde, que se instalou em Bauru recentemente, concorda com Gaio. Para ele, o setor rural tem de ser mais arrojado em busca de especialização, investindo em tecnologia e em melhoria de produtividade. “Se a pessoa não tem capital, ela não consegue fazer nada. Por isso, a parceria do governo é importante para alavancar esse segmento”, diz.
Ele salienta que o que não pode acontecer é o homem do campo ficar sentado esperando que as coisas aconteçam. “Tem de montar um bom projeto e sair à luta, procurando linhas de crédito e incentivos do setor público para crescer”, destaca.