Geral

Vocação urbana de Bauru reduz o desempenho rural

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) - órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento -, José Sidnei Gonçalves, diz que Bauru até que apresentou um bom desempenho em sua produtividade nos últimos cinco anos, passando de R$ 29,8 milhões em 2000 para R$ 31,3 milhões em 2003.

“Se considerarmos que a economia do País estava estagnada nesse período, podemos dizer que esses 5% de crescimento registrados em Bauru foram bastante significativos”, afirma Gonçalves.

Mesmo assim, isso não eleva Bauru à condição de município com um bom desempenho no setor rural. Bauru ainda perde para cidades de porte menor, como é o caso de Bastos e Assis, por exemplo.

“Temos de entender que Bauru não tem vocação agrícola. É uma cidade extremamente urbana”, ressalta o coordenador da Apta.

Prova disso, segundo ele, é que não existe área para a expansão agrícola no município. “Não tem para onde crescer em termos de território.”

Dessa forma, a cidade só vai conseguir se consolidar entre as grandes produtoras da agropecuária se investir na produtividade, ou seja, fizer o mesmo pedaço de terra render muito mais do que ele tem rendido até agora.

Ele acredita que isso só vai acontecer na hora em que os produtores rurais e empresários se conscientizarem da importância de se traçar um projeto arrojado para o setor.

“Isso não depende do governo. É preciso ter estratégias de expansão, ter convergência de esforços do setor empresarial de todos os segmentos produtivos, para modernizar o agronegócio”, afirma Gonçalves.

Segundo ele, muitos produtores rurais ainda vivem ligados ao passado, lembrando de uma época em que o governo subsidiava o setor agrícola e eles não precisavam se preocupar tanto em crescer. “Existe um saudosismo dos anos 70, da época da ditadura militar, quando o governo investiu no campo. Mas isso nunca mais vai existir”, ressalta.

De acordo com ele, Bauru não definiu ainda para que caminho vai. Por enquanto, ainda está “atirando para muitos lados”. “Não dá para ser produtivo em tudo. É preciso se especializar em determinada cultura e transformá-la em algo singular, ou seja, ela tem de ser melhor do que suas similares, por algum motivo que seja”, explica.

O assistente de direção do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Bauru, Luís César Demarchi, concorda com Gonçalves com relação ao interesse dos produtores em alavancar o setor rural no município. “Sinto que falta um pouco mais de vontade do produtor em correr atrás de inovação tecnológica”, salienta.

Ele diz que o território de Bauru está bem ocupado pelo setor rural, já que não há terra ociosa. “Mas está mal explorada”, avalia.

Ele destaca que o momento é propício para a arrancada em direção a um melhor posicionamento do município com relação à produção rural, já que o País atravessa uma fase de bom desempenho nesse campo. “No entanto, para evoluir, é preciso investir em tecnologia”, frisa.

Comentários

Comentários