Os números da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) mostram sinais positivos no setor rural de Bauru. De acordo com informações do órgão, houve um aumento de 5% na produção rural do município nos últimos cinco anos. Mesmo assim, representantes do segmento afirmam que o município está aquém de sua potencialidade, por não ter um projeto de desenvolvimento macro nesse setor.
Para o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, o agronegócio está “na moda” e este seria o momento ideal para Bauru dar um grande salto no que diz respeito à produção rural. “Mas nós estamos parados no tempo. Não vemos nenhuma cultura se destacando no município”, afirma.
Segundo ele, não basta apenas a produção rural para alavancar a agricultura. É preciso contar com uma agroindústria nas proximidades para estimular a expansão do negócio. “O produtor precisa ter para quem vender”, destaca.
Ele cita como exemplo a citricultura. “Não compensa para o mercado de citros enviar a carga de laranja para cidades muito distantes, pois o custo se torna alto”, explica.
De acordo com Guimarães, essa é uma das explicações para o recuo do cultivo de laranja e cana-de-açúcar no município. “Já tivemos uma citricultura expressiva, mas hoje são poucos os que querem investir nessa área”, destaca.
Ele diz que as indústrias ligadas ao setor ficam em cidades a cerca de 300 quilômetros de Bauru, o que inviabiliza financeiramente o escoamento da produção.
As usinas do setor sucroalcooleiro também estariam restringindo a aquisição de cana para produtores num raio de 30 quilômetros de sua localização. “A cana também está desaparecendo de Bauru”, salienta.
Projetos micro
Hoje, segundo dados do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), as pastagens dominam 43 mil hectares do município. Em segundo lugar, está a citricultura, com 1,2 mil hectares e, em terceiro, a ovinocultura, com mil hectares.
De acordo com Guimarães, a pecuária precisava ser mais avançada, investindo em tecnologia para incrementar a produção de carne, grande fonte de negócios em Bauru. “O que dá dinheiro para o produtor é trabalhar paralelamente à indústria”, argumenta.
Ele acredita que falta mais empenho do poder público na definição de uma política agropecuária para o município, ajudando-o a se desenvolver de acordo com o seu potencial. “Estrutura tem, a terra é boa - ao contrário do que as pessoas costumavam dizer antigamente - e o dinheiro, é preciso correr atrás dele”, salienta Guimarães.
O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Seiko Tokuhara, ressalta que a administração municipal está tentando apoiar os agricultores do município, buscando convênios junto ao governo do Estado. “Conseguimos a liberação de uma verba R$ 287 mil para a aquisição de implementos agrícolas, além da construção de três pontes metálicas nas estradas rurais e a aquisição de um trator”, diz.
Além disso, há duas estufas no distrito de Tibiriçá produzindo mudas de folhagens para ceder a pequenos produtores.
Questionado sobre se Bauru teria um projeto mais audacioso, que visasse a macroeconomia, Tokuhara explicou que há um projeto desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com a Universidade do Sagrado Coração (USC) para incentivar a produção de maracujá voltado para a indústria.
De acordo com ele, por meio do projeto, os produtores podem adquirir mudas de maracujá a preço de custo.
Para apoiar a produção, foi desenvolvida uma câmara fria, para estocar o xarope da fruta, que deverá ser vendido para uma empresa de Dracena, que vai transformá-lo em suco ou outros derivados do maracujá. “Já temos a empresa definida e está tudo pronto para ser colocado em prática em breve”, diz.