Quase ninguém furta de seus preciosos momentos de lazer o descanso que lhe pode proporcionar uma confortável poltrona, a qual, por seu turno, também descansa num cantinho da varanda ou da garagem residencial. Permanecem ali instantes e mais instantes totalmente absortos, com pensamentos voláteis, distantes, gerados por assuntos que a imaginação raramente imagina, para eles não dando a trela que possam merecer... Assuntos, às vezes, domésticos, outros do trabalho, outros sociais e assim por diante, é no que invariavelmente pensam todos, quando não lançam o olhar para as alturas e fixam a sua admiração em cima da beleza que observam e as nuvens não lhes roubam...
Habituam-se, geralmente, os genitores a tomar conhecimento somente disso e, rotineiramente, à passagem de quantos transitam sobre as calçadas de suas casas, muitos deles jovens estudantes de escolas das adjacências, os quais andam em bandos, conversando sobre casos diversos, sobraçando livros e cadernos e, ainda, juntando suas mãos às das namoradas, colegas de classe que os acompanham. Então, assistindo à procissão estudantil diante de sua moradia, os pais se despertam para quanto despendem, mensalmente, com a manutenção dos filhos nos cursos de aprendizado cultural e profissional. Aconteceu conosco exatamente isso, quando nossos meninos e meninas se preparavam para a vida que um dia teriam de enfrentar sozinhos. Já não era barato o ensino da criança ou do jovem e, hoje, é realmente muito mais caro, surpreendendo extraordinariamente os chefes de famílias que, pestanas arregaladas nas chamadas ou anúncios da mídia sobre a escolaridade secundária ou superior, põem-se a conjecturar quanto tempo ainda terão de desembolsar, todos os meses, para que a irradiante estudantada continue transitando em frente a suas casas, a qualquer hora do dia, conversando alegremente ou permutando as “piadas”, às vezes, sem graça que lhes surgem.
Anuncia o governo medidas tendo em vista reduzir o valor das mensalidades e anuidades escolares e com isso sonham ardentemente os pais muitas vezes destituídos de recursos para custeá-las. Quando perceberão a mudança dos seus sonhos em realidade se os altos preços das coisas no País constituem sonhos de noites de verão, não baixando porque são impulsionados para cima pelas ondas econômicas que vão e não voltam? É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“A vida é uma montanha que é preciso galgar. A juventude é uma das encostas e a idade madura o cimo. Seguem-se depois o declínio e a vertente que levam para o epílogo”.