Bairros

Casa desaba com ventos de 42 km/h

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A chuva e o vento de 42,3 km/h que atingiram a cidade ontem à noite derrubaram duas paredes de uma casa no Jardim Mendonça, provocaram destelhamento em cinco residências do Ferradura Mirim e causaram queda de quatro árvores e curto-circuito na rede elétrica em vários pontos da cidade.

Bairros como o Jardim Marambá, Jardim Estoril e Parque Vista Alegre ficaram no escuro, assim como a casa do Jardim Mendonça que foi parcialmente destruída.

“Só a hora que parou de ventar que eu desliguei a força. Durante a ventania, ficamos dentro do banheiro por causa da laje (os outros cômodos eram cobertos apenas com telhas). Minha esposa foi ferida na cabeça e na perna enquanto corria para lá. Não foi grave”, conta o pedreiro Dorival Felipe dos Santos.

Enquanto aguardava o retorno de sua mulher do pronto-socorro, ele já fazia planos de reconstruir a residência, erguida com suas próprias mãos na quadra 3 da rua Valdir de Campos. “Esta noite vamos ficar na casa de parentes. Minha esposa ficou muito abalada. Vou salvar o que for possível, está tudo molhado”, conta sem idéias do prejuízo, em meio aos vizinhos.

Cerca de dez moradores próximos o ajudaram a recolher os objetos da casa, que ficou completamente destelhada. Alguns não escondiam o susto. “Precisei tomar calmante. Ficava pensando nas crianças deles (um de 2 anos e outro de 12 anos). Voou telha para mais de 100 metros. Era muito barulho”, relembra Francisca Rodrigues Batista.

Destelhamento

Situação semelhante, mas menos grave, também vivenciaram alguns moradores da região mais pobre do Ferradura Mirim. “Uma construção boa suporta ventos de 40 km/h, mas na periferia as telhas não são amarradas. Além disso, o beiral dessas residências é grande e favorece o destelhamento”, explica o coordenador da Comissão de Defesa Civil, Álvaro de Brito.

Ele se comprometeu a fornecer telhas ainda hoje aos moradores das casas atingidas, que podem ser recuperadas em apenas um dia. “Como não foi muita coisa, temos um pequeno estoque que dá. As chuvas deste ano foram as mais leves dos últimos cinco anos. A limpeza de bocas-de-lobo, desobstrução de galerias e drenagem dos rios, que devem ser constantes, ajudaram”, explica Brito.

Há pouco mais de três anos, no dia 7 de fevereiro, uma chuva intensa de 40 minutos provocou a morte de quatro pessoas em Bauru, todas vitimadas pelas águas das enchentes. Naquela mesma época, outras três pessoas perderam a vida ao caírem numa erosão na avenida Waldemar Ferreira, causada pela mesma tempestade.

A chuva do dia 7 de fevereiro de 2001 acumulou 49,5 milímetros de água, 25% da quantidade registrada naquele mês inteiro, segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ontem, porém, o instituto registrou entre as 15h e 21h apenas 2,1 milímetros de água.

Embora a intensidade da chuva tenha sido diferenciada em vários pontos da cidade, a Polícia Militar não registrou ocorrências.

As queixas encaminhadas ao Corpo de Bombeiros, como a queda de três árvores no Núcleo Habitacional Mary Dota e uma no Jardim Godoy, foram comunicadas à Defesa Civil. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) também foi acionada, mas o JC não localizou os responsáveis pela empresa para informarem os danos causados.

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Previsão

Os ventos atingiram 42,3 quilômetros por hora na estação do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) durante a chuva de ontem à noite.

Na semana passada, uma chuva acompanhada de vento mais ou menos da mesma intensidade, segundo Álvaro de Brito, coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil, atingiu Bauru, principalmente no Parque Real, também causando estragos.

Em maio de 2002, uma rajada de vento que chegou a 54 quilômetros por hora provocou vários destelhamentos e derrubou uma antena de telefonia de mais de 60 metros de altura na cidade.

A previsão do IPMet para hoje é de nebulosidade variável, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Para amanhã, a tendência é de chuvas e trovoadas isoladas a partir da tarde. E para sexta-feira, pouca nebulosidade, sem chuva. (Ieda Rodrigues)

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