Economia & Negócios

Greve da PF causa transtorno a agências

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

A greve dos servidores da Polícia Federal (PF), que já dura mais de um mês, está causando transtornos a agências que organizam viagens internacionais para trabalhadores. Isso porque o primeiro passo para quem deseja trabalhar no Exterior é providenciar o passaporte, que só está sendo emitido pela PF em casos de urgência comprovada ou com apresentação da passagem.

“O que está acontecendo é que a gente está com a documentação pronta para liberar o visto, mas o passaporte não está sendo emitido”, afirma Sílvia Helena Arruda, gerente de uma agência especializada em obter trabalho para dekasseguis. Segundo ela, a empresa enviava de 40 a 50 pessoas por mês ao Japão, mas agora este é o volume de documentos parados por falta de passaporte.

Sílvia explica que a agência atua em diversos Estados e, em cada um, a PF segue padrões diferentes para liberar o passaporte. “A maioria das delegacias da PF não libera o passaporte a não ser que a pessoa já esteja com a passagem emitida”, diz.

Adquirir a passagem antes, no entanto, é um risco. De acordo com a gerente, o custo do bilhete é muito alto (cerca de US$ 1.400,00, somente ida) e há possibilidade do visto ser negado ou não ser concedido até a data do embarque. Até o momento, porém, Sílvia afirma que a empresa não teve prejuízo financeiro.

Em outra agência de Bauru especializada em viagens de trabalho, a proprietária Rejane Corrêa declara que a empresa teve que elaborar uma “carta de autorização” para tentar agilizar a emissão de passaportes. “Na carta a gente explica o tipo de programa, como funciona”, diz.

Segundo Rejane, a média de pessoas embarcadas não chegou a cair por conta da greve. “Não tivemos problema de cancelar viagem ainda, mas o processo está tendo que ser feito muito mais rápido”, afirma.

O maior transtorno, porém, está sendo a demora no aeroporto. De acordo com Rejane, os passageiros estão tendo de chegar com cinco horas de antecedência para fazer o check-in no aeroporto. “Teve um grupo que saiu de Bauru às 10h30 de um dia e só foi chegar no hotel em Miami ao meio-dia do outro”, conta.

Corte de ponto

Apesar da greve da PF prejudicar diretamente outros setores, inclusive os próprios inquéritos, não há expectativa de encerramento da paralisação nos próximos dias. “Até agora, o governo não se mostrou disposto a negociar”, afirma o escrivão Evany Alves de Moraes, da comissão de greve da PF em Bauru.

A principal forma de pressão do governo foi o anúncio de que os grevistas começariam a ter os dias parados descontados, segundo determinação do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Moraes afirma, no entanto, que a Advocacia Geral da União (AGU) tenta impedir o corte de ponto. “Essa ação ainda não foi julgada”, diz.

Agentes, escrivães e papiloscopistas (especialistas em impressões digitais) entraram em greve para pressionar o governo federal a aplicar a lei 9.266, de 1996, que unificaria cargos de nível superior em uma única tabela de vencimentos, mas que nunca foi cumprida. Com a aplicação da lei, os salários seriam reajustados entre aproximadamente 15% e 85%.

De acordo com Moraes, 100% do efetivo do Estado de São Paulo está em greve. Só em Bauru, já há mais de 1.500 inquéritos aguardando tramitação. “Os inquéritos vêm chegando, mas os escrivães e agentes estão parados. Por conseqüência, os inquéritos ficam parados”, afirma.

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