Cultura

Túnel do tempo

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Criado em outubro de 1998 através de uma parceria entre a Instituição Toledo de Ensino (ITE) e o Bauru Ilustrado, suplemento mensalmente encartado no Jornal da Cidade, o Instituto Histórico “Antônio Eufrásio de Toledo” é uma das mais ativas entidades atuando na preservação da memória da Bauru.

Assim como o Museu Ferroviário Regional, Museu Histórico Municipal - ambos responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) - e do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru e Região “Gabriel Ruiz Pelegrina” (NUPHIS), da Universidade do Sagrado Coração (USC), o “Antônio Eufrásio de Toledo” possui no seu acervo um vasto material sobre a cidade, principalmente sobre sua origem - fato que gerou até uma correção nos registros históricos de Bauru.

Dirigido pelo jornalista e historiador Luciano Dias Pires, o Instituto Histórico tem, em relação às outras entidades, um importante diferencial que é o de divulgar maciçamente a história, principalmente entre os estudantes da cidade através de visitas agendadas e mostras itinerantes, um trabalho de imensurável importância para que os jovens locais cresçam cientes de sua origem.

O Instituto Histórico possui uma mostra permanente de 186 painéis fotográficos que conta praticamente toda a história de Bauru, desde os seus primeiros tempos, mostrando vida social, esportiva, cultural e política, além de detalhes do cotidiano da ex-capital da Terra Branca, como era conhecida a cidade. “Quem visita o Instituto tem a sensação de estar no túnel do tempo”, brinca Pires.

Muito do acervo está disponível para que as escolas e entidades locais realizem exposições, bastando para isso entrar em contato com o Instituto, como lembra o jornalista.

A entidade também possui valiosas fontes de pesquisa como as coleções completas do Jornal da Cidade e do Bauru Ilustrado que, diariamente, são consultadas por estudantes em um terminal de computador; livros e publicações antigas que trazem dados sobre a cidade e seus pioneiros.

As fotos também são destaque no acervo do Instituto, que possui cerca de 10 mil imagens sobre diversos momentos da vida bauruense. Além disso, quem visita o “Antônio Eufrásio de Toledo” pode ver um filme de 30 minutos sobre Bauru. Os objetos antigos, entre eles utensílios dos índios Caingangues completam a coleção.

Fora da sua sede, o Instituto Histórico tem realizado em parceria com entidades como o Serviço Nacional do Comércio (Senac) e o Serviço Social do Comércio (Sesc) e escolas locais, caminhadas nas quais são apresentadas aos participantes os pontos históricos da cidade. De acordo com Pires, estão sendo mantidos contatos com clubes de serviços e grupos de escoteiros que novos passeios sejam realizados este ano. “O objetivo do Instituto Histórico, hoje vinculado a Fundação Toledo, é, junto aos órgãos similares existentes em Bauru, somar esforços para divulgar e preservar o bonito passado da nossa cidade”, avalia o jornalista e historiador.

• Serviço

O Instituto Histórico “Antônio Eufrásio de Toledo” fica na rua Capitão Gomes Duarte e está aberto de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h às 17h. Aos sábados, das 8h30 às 10h30. Informações: (14) 3234-2508.

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História corrigida

Uma pesquisa de rotina realizada pelo Instituto Histórico provocou a correção de uma informação fundamental sobre Bauru. Antes do levantamento feito pela entidade, várias publicações, até mesmo as oficiais, citavam o dia 1 de agosto como a data de fundação da cidade.

O levantamento feito por Pires esclareceu que, na realidade, nesta data, em 1896, foi assinada a lei que determinou a mudança do nome do município de Espírito Santo da Fortaleza, ao qual a cidade pertencia como distrito, para município de Bauru. A informação do Instituto ofereceu os subsídios necessários para que a palavra fundação não mais figurasse em qualquer notícia sobre a cidade, principalmente naquelas da Prefeitura e do Legislativo.

“É importante que os estudantes aprendam a história correta”, diz Pires. Segundo ele, em agosto de 1896 já funcionavam em Bauru a prefeitura, a câmara, além de um cartório e outros benefícios. Assim, 1 de agosto passou a ser lembrado como Dia da Cidade, mas não o de sua fundação.

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