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Unesp define área para erguer moradia

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Após mais de dez anos de reivindicações, os estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) vão conhecer amanhã onde será construída a moradia estudantil do câmpus de Bauru. Uma reunião entre alunos e diretores das três faculdades da instituição definirá a área que, de acordo com informações extra-oficiais, já foi estabelecida em consenso.

Os blocos destinados como alojamento aos universitários carentes devem ser erguidos numa área em frente à Associação dos Servidores da Unesp de Bauru (Assuneb), instalada na avenida João Sandrin, após a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú). A João Sandrin dá continuidade à avenida Luiz Edmundo Coube e acesso ao Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet).

“Havia umas três ou quatro indicações de locais, mas a moradia tem de ser de frente para uma via pública. A tendência é que seja lá. O Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) indicou (aquela área) para a comissão de obras, que vai apresentar uma resposta”, explica o diretor técnico administrativo do câmpus, Luiz Henrique Garcia.

Pelo o que o JC apurou, é quase certa a construção dos blocos na área apontada. No entanto, a aprovação deverá constar em documento para que a Assessoria de Planejamento e Orçamento (Aplo) da Unesp possa fechar os projetos executivos referentes à infra-estrutura (rede de energia elétrica, esgoto etc). Só então, o orçamento da obra será elaborado.

“Isso (o trâmite) deve levar aproximadamente um mês. Depois, um assessor da Aplo vai sentar com o reitor e com o responsável pelo orçamento para planejar a execução da obra (que inclui o processo de licitação)”, informa o engenheiro civil e responsável pelo grupo técnico de investimentos em obras e equipamentos da Aplo, Brasilino Nildo de Rosa.

De acordo com ele, cada bloco deve custar cerca de R$ 400 mil e terá 460 metros quadrados de área construída. Cada unidade contará com 16 quartos, um para cada dois estudantes, quatro sanitários, quatro cozinhas, além de duas salas e uma área de serviço comum a todos.

“Após a conclusão das obras, a Unesp também oferecerá mobiliário. Serão quatro geladeiras, quatro fogões e quatro mesas para oito pessoas. Além disso, cada quarto contará com armário embutido, duas cadeiras e bancada para estudo”, ressalta Rosa, para quem inicialmente apenas um bloco será construído.

Demanda

Porém, na opinião de estudantes da Unesp, o atendimento de 32 universitários é irrisório diante da demanda.

“Queremos no mínimo quatro blocos com 32 pessoas cada um. O reitor (José Carlos Souza Trindade) falou (na construção) de dois blocos neste ano e mais dois em 2005. Quatro não é um número ideal, mas atende a demanda emergencial”, cobra o estudante do 5.º ano de psicologia, Marcelo Ubiali Ferracioli.

Ele não dispõe de dados precisos, mas tomando como base o número de bolsas-auxílio a universitários, diz que a construção de oito unidades seria recomendável.

“As discussões de gestão (divisão de tarefas, quem terá direito à moradia, tempo de permanência etc) vão começar com o início das obras. Queremos uma situação de independência, de autogestão. Os alunos devem decidir, por exemplo, as regras de convívio. Queremos que no próximo ano os alunos já possam contar (com os alojamentos)”, diz Marcelo.

De acordo com ele, o início e a conclusão das obras em 2004 foi condição para que os estudantes desocupassem duas salas do câmpus de Bauru, que serviram de moradia para um grupo de universitários entre os dias 23 de abril e 15 de outubro do ano passado.

“Para nos forçar a deixar as salas, eles ameaçaram não iniciar os estudos referentes ao local e infra-estrutura. Então tiramos uma comissão de negociação (formada por quatro alunos). A nossa pressão surtiu efeito. Para o movimento é uma vitória absoluta”, conclui.

O JC não localizou o presidente do GAC, José Carlos Plácido da Silva, nem o reitor da universidade para comentar o assunto.

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