Articulistas

Insustentável custo da dívida pública


| Tempo de leitura: 2 min

O desempenho da economia brasileira nos últimos 20 anos tem sido medíocre. A expansão média do PIB, que fora de 8,8% na década de 70, registrou 3% nos anos 80, 1,7% na década de 90 e 1,8% no período de 2000 a 2003.

A expansão do desemprego, reflexo também de causas estruturais que acometem todo o mundo moderno, tem como um de seus determinantes o anêmico desempenho da economia nacional. Em fevereiro deste ano o IBGE divulgou que 2,5 milhões de trabalhadores estão desempregados nas 6 regiões metropolitanas pesquisadas pela Instituto.

É dramático que uma sociedade que já foi exemplo e paradigma de dinamismo e de capacidade de transformação (que como dizia o professor Charles Kindleberger, representa a essência do desenvolvimento) tornou-se uma nação que, apesar de todas as suas potencialidades materiais e humanas, não vislumbra alternativas de emprego para seus cidadãos e cria uma política de migração ao exterior para dar vazão aos seus “excedentes” populacionais, como recentemente divulgado pela imprensa brasileira.

Pior e mais ameaçadora do que as agruras do presente é a falta de esperanças no futuro. O país não consegue vislumbrar perspectivas de reversão imediata.

Estruturalmente a sociedade brasileira se afunda em seus próprios problemas, na medida em que não mostra ser capaz de inverter uma tendência de aumento da concentração de renda, de estreitamento de seu mercado interno e de passividade frente á expansão do endividamento público, que saltou de R$ 108 bilhões em 1995 para mais de R$ 900 bilhões em 2003. Recursos que poderiam atender às necessidades de consumo e investimento da sociedade brasileira, contribuindo para gerar emprego e renda, são desviados para o atender as exigências impostas pela irresponsável política que gerou a acumulação acelerada de dívida pública nos últimos dez anos.

Em 2003 a dívida pública absorveu quase R$ 150 bilhões, montante equivalente à soma dos gastos da União (excluindo a Previdência) com a prestação de serviços públicos de saúde, educação, defesa, reforma agrária, assistência social, transportes, etc. Para 2004 o orçamento prevê despesas com a dívida da ordem de R$ 183 bilhões.

Essa situação é insustentável. O país não suporta mais conviver com uma situação dramática que parece não ter fim. Para fazer frente a uma dívida que não pára de crescer a economia tem que conviver com uma crise social brutal, situação esta que impõe riscos cujas conseqüências são imprevisíveis para toda a sociedade.

O autor, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, é doutor em Economia pela Universidade Harvard, professor titular e vice-presidente da FGV.

Comentários

Comentários