Os professores da rede estadual de ensino podem entrar em greve a partir de amanhã. Já os especialistas de educação (categoria que envolve diretores de escola, vice-diretores e supervisores de ensino, entre outros) também podem parar em breve. Apesar da insatisfação de ambas as classes ser a mesma com os salários e as condições de trabalho, a estratégia é diferente.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apresenta um pacote de reivindicações, ao passo que o Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial (Udemo) quer concentrar esforços no reajuste salarial.
“A Apeoesp tem várias reivindicações, e nós achamos que agora é hora de reivindicar salários. A gente corre o risco de ter atendido outra coisa e não o salário”, declara a presidente regional da Udemo, Maria José de Oliveira Faustini. Ela faz questão de afirmar, porém, que a luta é única para ambas as categorias.
Já o coordenador da Apeoesp, Laércio Simões, diz que as principais reivindicações são salariais, embora a pauta inclua outros itens que, de acordo com ele, influem diretamente na vida do professor. Entre as exigências estão o fim das perseguições políticas, a fixação de seis aulas no período diurno e cinco no período noturno por professor e o limite máximo de 35 alunos por sala de aula.
Além disso, os professores querem fixar o piso em R$ 1.422,46, como estabelecido pelo Dieese, e também a incorporação das gratificações aos salários. Simões afirma que o governo informou que pretende realizar um estudo sobre este último pedido até maio. “É um indicativo para fazer um estudo para poder transformar os bônus em salários”, explica.
Mesmo assim, o coordenador da Apeoesp declara que a greve está próxima. “A proposta vencedora (no último congresso) foi a de greve a partir do dia 16 (amanhã)”, diz. Segundo levantamento da diretoria regional de ensino, há mais de 2.300 professores atuando nas 74 escolas da rede estadual em Bauru.
No caso dos especialistas de educação, Maria José aponta as distorções de salários como o principal problema. “A nossa categoria foi muito prejudicada. Houve uma lei que achatou nossos vencimentos. O que ocorre é que um diretor hoje assume com um salário até menor que um professor”, diz.
Segundo a presidente da Udemo, o salário inicial de um diretor de escola é de R$ 1.249,50, para 40 horas semanais. Um supervisor de ensino, com a mesma carga horária, ganha inicialmente R$ 1.373,40. “São cargos de muita responsabilidade para um salário relativamente baixo”, diz.
Amanhã, às 15h, a Udemo realiza uma assembléia na sede do sindicato (rua 15 de novembro, 7-31) para discutir o assunto. De acordo com Maria José, a intenção é fazer um trabalho de conscientização para obter uma adesão maior da classe em caso de paralisação. “Num primeiro momento, nós não descartamos a greve”, declara.