Turismo

A cidade das sete colinas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Visitar Lisboa é mergulhar na história de uma cidade com mais de 8 séculos. Uma metrópole de quase milhão de habitantes que preserva todos os seus monumentos, museus, praças e castelos.

Por causa de sua localização privilegiada na foz do Tejo, atraiu desde tempos imemoriais povos navegadores responsáveis por uma infinidade de lendas sobre a fundação da cidade das sete colinas.

Os romanos transformaram o porto comercial fenício de “Alis Ubbo” (baía serena) em “Ulissipum”, fazendo dela uma clássica fortaleza mediterrânea.

Depois de um breve período de domínio dos visigodos, a região foi ocupada pelos árabes (que em Portugal são sempre conhecidos como “os mouros”), que ali deixaram marcadas diferenças de língua, religião e hábitos cotidianos.

O território passou a pertencer a Portugal em 1146. Depois de um mês de cerco aos mouros, os homens de Dom Afonso Henriques, o primeiro rei português, invadiram o castelo da cidade, depois batizado de São Jorge, com Alis Ubbo transformando-se em Lisboa.

Parte dessa história pode ser observada no Castelo de São Jorge que embora não conte mais com a antiga muralha “a cerca fernandina” (com 77 torres e 34 portas,) continua imponente, emoldurando a cidade.

O Castelo de São Jorge fica no alto de um monte. No passado, muitos séculos antes de Cristo, já servia de fortaleza e observatório para romanos, visigodos e mouros, que o ampliaram no século 8.

O castelo foi edificado em ponto estratégico: dele, podia-se ver todo o estuário do Tejo. Conquistá-lo, portanto, tinha um papel fundamental. Significava ter o domínio da região.

Foi nele que Vasco da Gama informou o rei ter encontrado o caminho marítimo para as Índias. Como o lugar sofreu alterações durante séculos, o Paço das Alcáçovas não existe mais, mas o castelo continua sendo ponto turístico, cercado por belos jardins românticos.

Perto dele, fica o Miradouro de Santa Luzia, lugar que permite aos visitantes “flashes” incríveis da bela cidade.

Saindo dali, desça as escadas e ruazinhas do bairro de Alfama, que é um dos lugares mais tradicionais da cidade, conservando moradias medievais com portas de 1,5 m de altura.

Em Alfama funcionam várias casas de fado, como a Casa de Fado e da Guitarra Portuguesa (Largo do Chafariz de Dentro), onde a história da música melancólica lisboeta é contada. Reserve uma mesa para jantar logo mais à noite, com direito a vinho e recordações da deusa Amália Rodriguez.

Além dos prédios e monumentos históricos, Lisboa apresenta ao visitante uma infinidade de figuras do passado. Basta ir andando por suas ruas, praças e avenidas que recordam nomes de batalhas e conquistas de um passado glorioso. Esculpidos na pedra ou gravados no bronze, poetas e guerreiros dessa história de oito séculos revivem perante os nossos olhos.

Espalhadas pela cidade há estátuas de todos os tamanhos, dimensões e materiais, desde as discretas ninfas das fontes, com sua silhueta delicada, a monumentais composições de mármore que evocam feitos grandiosos.

Todos elas têm em comum serem testemunho da ternura que Lisboa dedica aos seus heróis.

Lisboa é diferente

Uma cidade encantadora é a Lisboa do século 21. Uma metrópole organizada onde o moderno e o antigo convivem em total harmonia.

Como foi assolada em 1755 por um grave terremoto, parte da cidade é nova aos olhos do mundo, reconstruída por obra do então primeiro ministro Marquês de Pombal.

A Capital portuguesa ganhou ares modernos com a criação de praças amplas, como a Praça do Comércio e o bairro comercial da baixa.

Lugares que diferem completamente dos bairros não atingidos pelo desastre e que tornam a cidade ainda mais atrativa, por reunir o novo e o velho a apenas poucos quarteirões.

E entre o velho, lembranças da época áurea de Dom Manuel I (lembra-se do venturoso dos bancos escolares?), que entre 1495 a 1521 revolucionou a arquitetura gótica. Responsável pelo estilo “manuelino”, Portugal deve a ele os elementos decorativos rebuscados e únicos que tornaram o país diferente, (ou “difrente”, como dizem rapidamente os lusitanos).

Os elementos rebuscados em castelos, mosteiros e outras construções da época deixaram de ser utilizados com a morte de seu filho, o jovem rei Dom Sebastião nas Cruzadas (cujo corpo nunca foi encontrado), mas ainda pode ser observado em muitos lugares, inclusive em outras cidades portuguesas, como Batalha e Alcobaça, que serão alvo de outras reportagens.

• Serviço

Existem excelentes opções de hospedagem em Lisboa. Se você quiser se sentir como um príncipe ou uma princesa, hospede-se no Pestana Palace, no bairro de Alcântara, que ocupa a área de um antigo castelo.

Mas há lugares mais modestos como pensões, albergarias e hotéis econômicos, caso da rede Accor.

A TAP tem vôos viários para Lisboa, saindo de São Paulo, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro.

A passagem (ida e volta), na alta temporada, custa em torno de US$ 920.

(*Colaboração: Turismo de Portugal e TAP)

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Futebol e rock

Duas paixões nacionais, o futebol e o rock, devem levar inúmeros turistas a Portugal nos próximos meses: o Rock in Rio Lisboa e o Euro 2004.

Apesar de nunca ter ganho uma Copa do Mundo, os portugueses gostam de futebol tanto quanto os brasileiros. Prova disso é a contratação de jogadores brasileiros e, inclusive, do técnico Luís Felipe Scolari, que treina atualmente a seleção lusa.

Para felicidade geral dos portugueses, o país será a sede da fase final da Eurocopa 2004, um acontecimento desportivo de vasta projeção internacional.

A Comunidade Européia investiu lá bilhões de dólares, financiamento que garantiu a construção de três monumentais estádios e a reforma de outros.

Já o Rock in Rio Lisboa, marcado para maio e junho, deverá ficar na história como o maior festival de rock do mundo.

Numa área de 200 mil metros quadrados, cerca de meio milhão de pessoas assistirão a 120 horas de espetáculos, entre música portuguesa, brasileira e bandas internacionais consagradas.

Está confirmada a presença de Peter Gabriel, Gilberto Gil, Charlie Brown Jr, Metallica, Sepultura, Britney Spears, Sting, Alejandro Sanz, entre outros.

Mais dois bons motivos para quem quer conhecer as maravilhas das terras lusitanas, misturando gols e música com a nostalgia de bondinhos amarelos que circulam pelo bairro da Alfama, o cheiro que exala dos pastéis de Belém e a atração permanente que a história de nossos colonizadores exerce sobre nós.

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