O bauruense vai começar o mês de maio pagando mais caro pela energia elétrica e pela água. Na última semana, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) havia anunciado reajuste médio de 12,74% em suas tarifas. Anteontem à noite, o Conselho Municipal de Usuários dos Serviços de Água e Esgoto de Bauru aprovou a planilha do Departamento de Água e Esgoto (DAE) que prevê aumento de 12% nas tarifas residenciais de água e esgoto.
O aumento da conta de água precisa ser agora sancionado pelo prefeito Nilson Costa (PTB). De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o prefeito, que ontem estava em Brasília, ainda não se pronunciou sobre o assunto.
A assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, afirma que o reajuste é, na verdade, uma “atualização de tarifa”. Isso porque, segundo ela, os custos da autarquia - como energia elétrica, salário dos servidores e insumos - também sofreram aumento no último ano. A planilha do DAE tomou por base o INPC de janeiro de 2003 a março de 2004, que fechou em 12%.
De acordo com a assessora, o reajuste de 12% deve representar, na prática, um aumento médio entre R$ 1,50 a R$ 2,00 na conta de água dos consumidores. Ainda segundo Sandra, a alta atinge apenas as ligações residenciais porque estas são as que estão com tarifas mais defasadas. A receita média do DAE é de R$ 2,9 milhões, sendo que os consumidores residenciais representam de 65% a 70% da arrecadação.
No início do ano passado o DAE já havia reajustado as contas, porém, de forma escalonada. Em janeiro de 2003, o aumento foi de 30% para os consumidores residenciais e de 15% para os demais. Em abril, a segunda etapa do reajuste foi de 15% e 10%, respectivamente.
Mesmo com a última atualização de tarifa ainda recente, o presidente do Conselho de Usuários, Aguinaldo Anastácio da Silva, o Lulinha, afirma que o novo reajuste foi aprovado porque as tarifas estão “defasadas faz tempo”. “A gente chegou a um consenso de que, pela sobrevivência do DAE, seria interessante esse percentual de aumento”, diz. E acrescenta: “Se continuar desse jeito, o DAE não vai conseguir sobreviver. Houve aumento da matéria-prima utilizada, como o PVC e os produtos químicos para despoluição”.
Lulinha também declara que, embora inicialmente contra o aumento, não há outra solução para equilibrar o caixa do DAE - que teria se comprometido a dar uma contrapartida com projetos de perfuração e reativação de poços artesianos. “Inclusive, das cidades da região a tarifa aqui é uma das mais baratas”, completa.
Ainda segundo Lulinha, o DAE informou aos membros do conselho que continua a discussão a respeito da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que precisa estar em funcionamento até o início de junho, quando vence o prazo definido pelo Ministério Público Estadual. “Nossa intenção é organizar o DAE para evitar a privatização, a terceirização”, afirma.
Prestação
A estudante Ana Paula Queiróz, 19 anos, acredita que, embora os valores das contas de água e luz de sua casa sejam baixos, as altas devem representar até R$ 6,00 a menos em casa todo mês. Ela conta que, por outro lado, sua renda como pensionista não teve reajuste até o momento. “Só quando sair o novo salário mínimo”, diz.
Na opinião de Ana Paula, o dinheiro que será desembolsado a mais com as tarifas mais caras poderia ser utilizado para fazer uma compra a prestação, por exemplo. “A água nem tanto, mas a luz é bem cara. Em casa só temos lâmpadas fluorescentes e mesmo assim a conta é alta. Pago cerca de R$ 32,00 por mês”, observa.
De acordo com a tabela de reajustes da CPFL, consumidores de baixa tensão - como clientes residenciais e comércio de pequeno porte - pagarão 8,45% a mais. Os consumidores de alta tensão - indústria e comércio de médio e grande porte - terão as contas de luz reajustadas entre 17,42% e 27,30%.