Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• No escuro

Ignorando todos os alertas (de ontem e de meses atrás) e, principalmente, o bom senso e a cautela que devem nortear um gestor do bem público, o prefeito Nilson Costa (PPS) assinou ontem a “confissão” de uma dívida muito mal explicada, cobrada de forma insistente pela CPFL, uma empresa privatizada que saiu da prefeitura comemorando o acordo.

• Toque de caixa

De repente, “fez-se a luz” no Palácio das Cerejeiras e, a toque de caixa, omitindo totalmente a discussão da população e, o que é pior, sem esclarecer as razões que levam a um desembolso milionário sem mais nem menos, o governo local ainda anuncia com pompa que vai empregar R$ 14,7 milhões do dinheiro do povo para pagar uma dívida cheia de dúvidas que não está clara para o Tribunal de Contas nem para a Justiça e muito menos para quem tenta entender o que está ocorrendo.

• Curto-circuito

Por que será que o mesmo governo que há poucos meses contestava veementemente a cobrança que a CPFL tentava impor ao município de repente dá uma guinada de 360 graus e assina um acordo draconiano para com os interesses da cidade? Leia o que Nilson disse em novembro de 2003: “Embora o município tenha se insurgido contra as regras arbitrárias impostas pela CPFL, inclusive com reclamação à Aneel, o fato é que se trata de mero contrato de adesão, onde a concessionária dita as regras quase sempre obscuras e unilateriais”. É preciso dizer algo mais? Inacreditável!

• Voz das ruas

Pouca coisa explica o porquê de se dar tamanha prioridade a algo que não está nada claro. Uma das razões seria o prazo para a prefeitura contrair mais dívidas antes do processo eleitoral, que vence em maio? No restante, sobram perguntas e faltam respostas, como demonstram matérias nas páginas 4 e 5. A principal pergunta que o prefeito e seus mais influentes assessores vão ouvir nas ruas é: por que assumir uma dívida milionária se não se esgotou as possibilidades de contestá-la?

• MP e Câmara

Nilson, Marsola, entre outros, terão de dar uma resposta satisfatória, o que não o fizeram até ontem. Terão de explicar à população nas ruas como, certamente, terão de fazê-lo em outras esferas que representam os interesses coletivos e que já se preparam para contestar, como o Ministério Público e a Câmara Municipal. A cidade não vai assistir passiva a um ato desta natureza, revestido de tamanha falta de cuidado com o dinheiro de todos.

• Nariz de palhaço

Repetimos o que dissemos ontem: este jornal não é a favor de dar calote em ninguém, mas pagar no escuro, assinando um “cheque em branco” (de R$ 14,7 milhões), é não ter o mínimo zelo com o patrimônio público. E botar nariz de palhaço em todas as pessoas desta cidade, como ilustrou ontem um vereador que, a exemplo das pessoas sérias de Bauru, ficou indignado e vai se mobilizar contra o ato de um governo que caminha para o final com mais esta atitude que causa perplexidade.

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