Quantos recebam a informação de que atualmente estejam acontecendo cerca de 30 guerras no mundo, certamente estremecerão de susto. Mas não devem julgar-se em meio a uma grosseira inverdade. Não a tenham como mentira, igual ou parecida com tantas que se espalham, pois os conflitos humanos existem realmente; alguns do conhecimento geral e outros verazmente ocultos, nem por isso, no entanto, de crueldade ínfima, pequenina, eis que as suas loucas enfermidades ou “nevralgias”, que matam milhares de seres, são representadas pela violência, ódio e atitudes de disputas que ocorrem com freqüência nos países que aparentemente “vivem em paz”, com suas populações invariavelmente desejosas de concórdia e de unidade, e, no entanto, apesar dos longos milênios da história, continuam incapazes de manter a fraternidade social estável e duradoura. Não entendem o que seja a paz? Certamente que não é ela, apenas, ausência de guerras, de lutas, de divisões, de traumas, como ocasionalmente declara Chiara Lubich, frisando: “É muito mais do que todos possam pensar... É a plenitude da vida e da alegria, é a salvação integral da pessoa, ocupe a posição que ocupar, é a liberdade de ouvir e ser ouvido, é a implantação do amor e do sorriso sincero entre todos os povos, não apenas internos como externos, mesmo de nações distantes, ricas ou pobres, das quais quase nunca se ouve falar, escondendo suas fraquezas e potencialidades curtas ou longas, estreitas ou largas. Explica-a fraternalmente o papa João Paulo II que, considerando-a necessária no contexto da santidade inerente aos mais sadios sentimentos humanos, entende imprescindível a constituição, em todo o universo, de uma sociedade integralmente solidária que, sem o pavor de lutas e batalhas sôfregas, introduza entre as nações acesso comum aos bens de cultura e pesquisa científica, à divisão da riqueza das comunidades e à distribuição honesta dos frutos do trabalho, de sorte a se eliminar o mundo falsamente dividido em dois hemisférios que aí se encontra, o do Norte com países imensamente ricos, com recursos para declaração e sustentação das guerras e, do Sul, os profundamente pobres, com as vidas expostas aos tiroteios genéricos e esmagadas pela ciranda financeira da esfera econômica dominante em céus e terras. O que reza Papa seria a forma real de se tirar os exércitos e suas armas das 30 guerras, desviando-os dos desastrosos caminhos que trilham mortiferamente. Disse o emérito Platão que o corpo é o sepulcro da alma, a qual, por isso, nele tem de viver por todo o sempre. É também a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“O sorriso enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá. Então, sorri, meu amor, sorriii” - canta a música popular.