Economia & Negócios

Empresas mantêm hábitos de 2001para consumir menos eletricidade

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Em uma grande empresa do setor de papelaria com sede em Bauru, o gerente de apoio operacional Fábio Rogério Silva diz que os hábitos internos modificados na época do racionamento, em 2001, são mantidos até hoje pelos funcionários. Como conseqüência, o consumo de energia em 2000 foi maior do que no ano passado e do registrado neste ano até o momento.

“Naquela época, a empresa adquiriu dois geradores de energia, que foram utilizados de outubro de 2001 até março de 2002. Depois disso, a CPFL, entre outras distribuidoras, nos ofereceu uma tarifa especial de energia que era mais vantajosa do que continuar utilizando os geradores, e nós aderimos. Mas desde então, o consumo nunca mais voltou aos patamares de antes”, afirma Silva.

De acordo com ele, essa tarifa especial foi oferecida a empresas que adquiriram geradores no período do racionamento de eletricidade. A tarifa diminuiu os gastos da empresa com energia em torno de 20% na comparação com o uso dos geradores - com capacidade para abastecer toda a fábrica nos horários de pico, das 19h às 22h.

“Além disso tudo, na época do racionamento a empresa tomou uma série de medidas internas para diminuir o consumo de energia, que continuam sendo utilizadas até hoje. Entre elas, desligar o ar-condicionado enquanto as salas ficam vazias, desligamos várias lâmpadas da fábrica e os funcionários passaram a utilizar a iluminação de forma mais racional”, destaca Silva.

Produção

Segundo o gerente, no ano passado houve um aumento significativo da produção da fábrica sobre 2002. Mesmo assim, o consumo de energia subiu apenas 8% nesta comparação.

“Certamente, sem as medidas de contenção esse aumento do consumo teria sido bem maior. Mas essa redução não tem se refletido na conta de energia, porque no ano passado houve um aumento de 20% na tarifa de energia.”

Na sede do Serviço Nacional da Indústria (Senai) em Bauru, o instrutor de eletroeletrônica Rodolfo Andrade diz que uma série de orientações que foram passadas aos funcionários na época do racionamento continuam sendo colocadas em prática, além de outras medidas mais recentes, como a instalação de sensores de presença nas salas para que as luzes se apaguem automaticamente quando não houver ninguém no local.

“Desde o racionamento, os vigias continuam deixando a maior quantidade possível de luzes apagadas em todo o prédio, a iluminação do estacionamento foi automatizada, entre outras medidas. Só que neste ano a escola cresceu, o que tornou inevitável o aumento do consumo de energia. Por esse motivo é que foram adotadas estratégias como os sensores de presença nas salas, por exemplo”, diz Andrade.

Para ele, a vivência de 2001, embora forçada, foi importante. “Percebemos que os próprios alunos mudaram seus hábitos na escola e em casa também, usando a energia de forma mais racional.”

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