Auto Mercado

Reforço na 'cavalaria' exige atenção

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Aumentar a potência do motor não é um recurso adotado apenas pelos fãs da “onda” americana de personalização de automóveis que chegou ao País com o nome de tuning. Não são poucos os donos de veículos que, insatisfeitos com o rendimento do carro, ingressam em oficinas para alterar a “cavalaria” dos propulsores. Entretanto, o que ninguém pensa antes de executar o serviço são nas suas vantagens e desvantagens.

Mas o primeiro passo para compreendê-las é saber quais as principais formas de repotenciação dos motores. É o que ressalta Alison Flamino de Aguiar, instrutor automotivo da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “É preciso diferenciar as maneiras mais simples das mais complexas”, diz.

As repotenciações mais difíceis, e por isso muito mais onerosas, são aquelas normalmente efetuadas em veículos participantes de competições esportivas. É a chamada preparação automotiva. “Nela, todo o carro é praticamente refeito a fim de obter o melhor desempenho em determinada prova”, ensina Alison.

Já as mudanças mais “fáceis” na potência dos propulsores podem ser feitas em veículos de qualquer modelo, até mesmo os de passeio, através de três opções: a instalação de turbos, a reprogramação dos módulos de comando, ou chips, das injeções eletrônicas e a recalibragem de carburadores.

Em média, executá-las custa, respectivamente, cerca de R$ 2.500,00, R$ 1.000,00 e R$ 400,00. Por serem mais “acessíveis”, a maioria dos que optam por estas alterações são os donos de carros de baixa cilindrada, que sentirão, logo após realizarem-nas, suas principais vantagens: melhor rendimento em ultrapassagens, retomadas de velocidade e maior agilidade no trânsito, frutos do ganho de potência do motor.

No entanto, segundo Alison, é preciso conscientizar-se que o aumento do desempenho do motor também traz desvantagens. A principal delas é o aumento significativo do consumo de combustível. “Quem faz tal escolha deve ter mente que abrirá mão da economia de gasolina ou álcool em detrimento da maior potência e rendimento do automóvel”, salienta o instrutor.

A durabilidade do motor também pode ser afetada pelo aumento da potência. Entretanto, a vida útil de um propulsor repotenciado dependerá, principalmente, do modo de condução do motorista. “Quanto maior a potência ganha, a probabilidade de desgaste prematuro sobe. Mas a forma de utilização pelo condutor influencia muito. Quanto menos ele forçar, terá menos chance de problemas”, diz.

Alison informa, ainda, que um motor repotenciado também necessita dos mesmos cuidados de um original com a manutenção, principalmente com a lubrificação. “Um propulsor que ganhou potência passará a utilizar óleos com níveis de especificações superiores do equipamento original”, alerta.

Outro fato lembrado pelo instrutor é que o aumento da “cavalaria” deve acompanhar também a adoção de mudanças mecânicas em outros componentes automotivos, como freios, suspensão e direção. Alison justifica que todas as estruturas de um veículo são projetadas para funcionar com uma determinada potência máxima.

“Como esta é modificada, as alterações são obrigatórias para que tais sistemas possam funcionar corretamente”, frisa Alison. Entretanto, mesmo fundamentais à segurança, os reparos mecânicos adicionais raramente são executados. “A maioria não faz porque fica mais caro ou porque as oficinas não possuem equipamentos para efetuá-los, pois, às vezes, demandam mudanças profundas até no projeto do veículo”, pondera.

Por isso, Alison recomenda que as repotenciações devem ser executadas em estabelecimentos estruturados e com profissionais capacitados. “O ideal, antes de realizar o serviço, é conversar com seu mecânico de confiança”, conclui o instrutor.

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Desobediência legal

Mas, independentemente das vantagens ou desvantagens da repotenciação, o instrutor automotivo do Senai/Bauru, Alison Flamino de Aguiar, enfatiza que as montadoras, em nome da segurança ao rodar, não recomendam qualquer alteração nas características originais de um veículo.

Caso isso seja feito, a legislação obriga os donos dos automóveis a executar posteriormente inspeções em órgãos credenciados pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), como a unidade bauruense do Centro Tecnológico Mecânico (Cetem). “Infelizmente, pouquíssimos obedecem essa determinação, arriscando a vida e colocando a de outros em perigo”, critica Alison.

A reportagem do AutoMercado&Cia entrou em contato com o Cetem para falar sobre o assunto, mas o diretor da unidade, o engenheiro Luiz Cremonezi, viajava na ocasião e só retornaria a Bauru após o fechamento desta edição, feito na tarde da última quarta-feira.

O instrutor destaca também que, ao contrário do que muitos possam imaginar, a instalação de turbos não é proibida pela legislação. Ele exemplifica que, se a alegação fosse verdadeira, as montadoras não lançariam modelos equipados com o acessório, como ocorreu com o Fiat Marea e o Volkswagen Gol. “Ilegal é adaptá-lo no carro e, posteriormente, não passá-lo pela inspeção obrigatória”, finaliza.

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