A cena é mais do que comum: ao abrir a caixa de mensagens do computador, o internauta se depara com dezenas de e-mails trazendo informações não solicitadas. Os “spams”, forma como esse tipo de mensagem é popularmente conhecida, completam dez anos em 2004 e, além do incômodo, podem carregar vírus ou se transformar em uma perigosa porta de acesso aos dados pessoais dos usuários.
Para o professor de computação Marcos Antônio Cavenaghi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, os problemas gerados pelo spam tendem a se agravar nos próximos anos. “Ele é a praga do século XXI”, analisa.
Cavenaghi lembra que os e-mails indesejados estão ampliando sua área de atuação e já atingem até mesmo os aparelhos celulares. “O ideal seria que todos os usuários não entrassem no spam. Se todo mundo fizesse isso, ele perderia o sentido, mas sabemos que não é isso que acontece. Há um spam, por exemplo, que circula com dicas para economizar água. É um assunto que tem um apelo muito grande”, comenta.
O professor desconhece qualquer estudo sobre a incidência de spams, mas calcula que representam pelo menos 10% das mensagens que ele recebe. “Isso mesmo com o uso de filtros. Infelizmente, não há como impedir totalmente que esses e-mails cheguem até a caixa postal”, diz.
Para o administrador de rede de um provedor de acesso à Internet de Bauru, Mário Augusto Cardia, a luta contra os e-mails indesejados não tem fim. “Cada vez que você criar algo para combatê-los, as pessoas inventarão uma forma de continuar repassando essas mensagens”, analisa.
Ele acredita que o mais importante é tentar se antecipar a possíveis novas formas de spams. “Se eles apresentam alguma novidade nos Estados Unidos, provavelmente isso afetará o Brasil. Nesse intervalo, temos como nos preparar para recebê-los”, declara.
Vírus
Cavenaghi afirma que a proliferação de vírus é o principal problema causado pelos spams. “Há um tipo que, ao ser clicado, ativa alguns serviços e acaba causando prejuízos nos diretórios e arquivos. Uma dica para evitar que isso ocorra é manter o anti-vírus o mais atualizado possível”, sugere.
Cardia lembra que, muitas vezes, a transmissão do vírus não é provocada pelo remetente. “É o próprio vírus que se aproveita do spam para se espalhar. Nesse caso, a culpa não é da pessoa que enviou o e-mail”, diz.
O administrador de rede acredita que a proliferação de spams seria menor caso a legislação que regulamenta a sua utilização fosse mais severa. “Há muitas pessoas que vendem listas de e-mails e essa prática deveria ser combatida”, opina.
Cavenaghi é ainda mais radical. “A lei teria que ser mais drástica, para não permitir o spam de forma alguma”, diz.
Segundo ele, a legislação atual exige que as empresas incluam nos e-mails com propaganda um link que possibilite ao usuário não receber mais esse tipo de mensagem. “Esse link existe em praticamente todos os spams, mas ele é perigoso, porque confirma que o seu e-mail existe e é ativo”, argumenta.
Orientações
Os especialistas consultados pela reportagem afirmam que a utilização de filtros é a maneira mais eficaz para amenizar o recebimento de e-mails indesejados, embora nem todos os spams consigam ser barrados antes de chegar à caixa de mensagens. “Às vezes, os filtros ainda erram”, alerta o professor Marcos Antônio Cavenaghi, da Unesp.
O administrador de rede Mário Augusto Cardia afirma que alguns provedores de Internet, caso da empresa em que ele trabalha, também têm procurado oferecer aos clientes ferramentas que auxiliem no combate aos spams.
Segundo ele, também é importante que o usuário tome alguns cuidados para que não seja bombardeado pelos e-mails indesejados. “As pessoas não devem cadastrar seus e-mails em qualquer site”, sugere.
Outra dica de Cardia é não fornecer informações sigilosas, como senhas bancárias, por e-mails. “Quando a pessoa recebe um spam solicitando esses dados, a possibilidade de fraude é grande”, comenta.