Em reunião realizada ontem na Câmara Municipal, a maioria dos delegados presentes do Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou as expectativas e decidiu pela participação da legenda nas eleições de outubro em aliança com o PDT e pelo nome de Estela Almagro como vice para a chapa de Tuga Angerami. Dos 69 membros do partido com direito a voto, 59 apoiaram a aliança. Houve abstenção de 18 delegados.
Estela, atual presidente da executiva municipal do PT, afirma que deve se afastar do cargo nos próximos dias em função do quadro eleitoral. “Quero chamar a executiva do PDT para uma conversa formal, para encaminharmos questões mais práticas e formular o programa de governo que pretendemos apresentar para a cidade”, declara.
A decisão pela aliança e pelo nome de Estela já eram esperados, visto que dos 89 delegados do partido, 78 são membros da corrente Articulação, liderada por Estela e pelo vereador José Carlos Batata. “A maioria do partido já veio, nos últimos 12 meses, cuidando de consolidar este acordo com a executiva do PDT. É palavra empenhada, compromisso cumprido”, ressalta a pré-candidata.
Ela argumenta que um dos pontos que levou o partido a abrir mão de candidatura própria foi a necessidade de alianças para administrar a cidade. “Entendemos que ninguém sozinho vai governar esta cidade. Estamos buscando superar as divergências que existem entre os dois partidos nas questões federais, porque no âmbito municipal, entendemos que não nos faltam convergências para caminhar juntos”, diz Estela.
Com a decisão pela aliança, o principal defensor da candidatura própria do PT, sindicalista Roque Ferreira, deve lançar seu nome na disputa por uma das vagas de vereador. Em seu pronunciamento na reunião, ele destacou que a união com o PDT seria uma “tática suicida” para o atual momento do partido.
“Esta será uma eleição difícil, mas abandonar o PT agora seria exatamente o que querem os aristocratas que querem destruir o PT. As propostas têm de estar enraizadas e vinculadas às questões da vida real dos trabalhadores”, afirma Ferreira.
Passado e presente
Nas últimas eleições municipais, em 1999, também cogitou-se a formação da aliança PDT-PT com os mesmos candidatos encabeçando a chapa na disputa. No entanto, a união não foi concretizada com a desistência de Angerami, que lançou sua candidatura ao lado Eraldo Bernardo Marques (PV). Estela não acredita que a história se repita neste ano.
“Acredito que o amadurecimento das lideranças dos dois lados e o quadro em que a cidade se encontra, de total desgoverno, fazem com que a gente reflita um pouco mais sobre as responsabilidades que temos à frente da cidade. A antecedência com que começamos a costurar estas discussões também fizeram com que tivéssemos habilidade de vencer as divergências”, acrescenta a presidente do PT.
No entanto, durante a reunião, um dos únicos momentos de desconforto para os membros do partido foi uma declaração de Tatiana Calmón, esposa de Roque Ferreira, na tribuna do plenário, justamente sobre o candidato do PDT.
Ela questionou a validade da reunião do PT sabendo que Angerami teria dito, em um encontro na última sexta-feira à noite, que não aceitaria nem Estela nem Batata como vice em sua chapa. O vereador respondeu dizendo que o partido não havia recebido nenhum comunicado oficial e que a posição tomada até então era da concretização da aliança.
Esperados para a reunião de ontem, Angerami e o presidente da executiva municipal do PDT, Faria Neto, não compareceram. A reportagem não conseguiu localizar Tuga até o fechamento desta edição.