Economia & Negócios

Pré-teens engrossam consumo de beleza

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Para tentar se enturmar mais rápido na nova escola, Vitória resolveu pintar os cabelos de rosa-choque. Junto com a mãe, a administradora de empresas Patrícia Maria Berro Schuckar, ela pesquisou a tinta mais adequada para seu tipo de cabelo e a tintura foi aplicada em casa mesmo. “Foi um jeito que eu achei para conhecer mais gente. Senão, eu ia chegar na escola e ser mais uma”, diz Vitória, 10 anos.

Assim como ela, outras colegas da sua sala da 5.ª série do ensino fundamental cultivam alguma peculiaridade no visual, seja com mechas de cabelo descoloridas ou com unhas pintadas de cores vivas. Mais do que apenas pintar os cabelos, Vitória sabe se cuidar - e faz questão disso. Usa shampoo pós-coloração, cremes para a pele, passa batom e sombra, pinta as unhas, tira a sobrancelha.

Os pré-adolescentes, na faixa dos 9 aos 12 anos, formam um dos mais rentáveis filões da indústria de moda e beleza. Sabem muito bem o que querem na hora de se vestir e de mexer no visual, mas dependem das finanças dos pais.

De acordo com Patrícia, mãe de Vitória, o gasto médio das duas com cosméticos chega a ser de R$ 100,00 por mês. Para evitar gastos maiores, elas contam que usam da criatividade - que também vale na hora de se vestir. “Eu compro peças mais baratas e ela pinta, retalha, dá uma cara nova”, diz a administradora de empresas. A menina observa também que não gasta com cabeleireiro ou manicure: a mãe corta e pinta seus cabelos e ela mesma sabe fazer as unhas com destreza profissional.

O cabeleireiro Marcelo Quintanilha Francisco, há dez anos na profissão, conta que a freqüência dos pré-teens no salão em que é sócio equivale de 20% a 30% do total de clientes. Ele percebe uma mudança no comportamento e nos pedidos das meninas. “Hoje em dia, elas estão sempre procurando fazer mechas no cabelo, tintura, coisa que antigamente, há três, quatro anos, não fariam”, declara.

Um dos tratamentos mais pedidos, as luzes, custa algo entre R$ 45,00 e R$ 150,00. O cabeleireiro afirma, no entanto, que tem certa cautela antes de aplicar a tinta. “A gente procura conversar com a mãe antes. Se a menina vem sozinha a gente dá uma ligadinha para a mãe”, diz. E completa: “Elas estão começando cada vez mais cedo a mexer no cabelo”.

Francisco também observa que a “tática” utilizada por Vitória para o início das aulas não é inédita no seu salão. “Às vezes a menina chega na escola com um corte novo, com umas mechas. As outras vêem e querem fazer igual. Os comentários delas era de que iam chegar em escola nova, com turma nova e queriam ter um estilo próprio”, diz.

Além dos cabelos, as meninas pedem unhas coloridas, com cores como laranja e verde-limão, tiram a sobrancelha e fazem depilação. “Com 11, 12 anos mesmo”, comprova Francisco. Até os meninos, historicamente menos afeitos a cuidar da imagem nessa idade, entram na onda. “No caso masculino também. Eles querem um cabelo mais despojado, fazem luzes”, diz. “Hoje é raro a mãe dizer como deve cortar”.

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