As fonoaudiólogas Eny Pereira e Alcione Brasolotto salientam que por ser uma das principais ferramentas de expressão do ser humano, a voz pode refletir o estado emocional das pessoas. “A pessoa feliz tem uma voz mais aguda e rápida. A pessoa triste tem a voz mais grave e lenta”, comenta Brasolotto.
Segundo as especialistas, parte das disfonias infantis pode ser conseqüência de fatores emocionais. A criança ansiosa, por exemplo, tende a falar muito e rápido. Com o tempo, isso pode desencadear disfonia por desgaste das pregas vocais.
A criança que se sente menosprezada pode querer falar mais alto que as outras para chamar a atenção e se sobressair.
É mais ou menos o que acontece com Thiago Gabriel Carvalho Geraldo, 5 anos. A avó Cleonice Carvalho conta que o menino sempre falou alto e rápido, desde pequeno.
“Aos poucos, nós notamos que ele forçava muito para falar, ficava com a garganta estufada e ficava rouco com freqüência”, conta. O primeiro passo da família foi levar Thiago para um exame de audiometria, para identificar se havia algum distúrbio auditivo, mas o resultado foi negativo.
“Hoje, sabemos que o problema de Thiago é a hiperatividade. Ele fala alto por uma necessidade emocional. Falar alto e rápido é a expressão da personalidade dele”, salienta Eny Pereira. Segundo ela, o menino já teve acompanhamento psicoterápico e agora inicia a reeducação vocal.