A assinatura do termo de confissão de dívida de R$ 14,7 milhões pelo prefeito Nilson Costa (PTB), em favor da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), causou reação da população e gerou os primeiros protestos, ontem. Um grupo formado por profissionais liberais, empresários, populares e formadores de opinião se reuniu para criticar a ação do governo, na região do parque Vitória Régia.
A medida foi adotada com o uso de um “nariz de palhaço” pelo grupo. “Estamos protestando contra a falta de transparência do senhor prefeito que assume uma dívida sem contrato e sem a mínima discussão pública sobre seu conteúdo”, comentou o comerciante Valdermir Bueno.
O empresário do ramo de construção civil, Juca Regino, questiona a ausência de contrato para os serviços de iluminação prestados pela CPFL desde 2001. “Como a administração municipal assume uma dívida que nem o governo sabe direito qual é a sua composição e que sequer tem contrato? Isso é uma brincadeira e nós ficamos aqui com nariz de palhaço”, diz Regino em tom de indignação.
Os demais integrantes do grupo cobram a discussão pública do acordo. Também participaram do protesto, entre outros, o comerciante Hércules Furigo, o pecuarista Paulo Rangel, o agricultor Geraldo Kinlin, o professor universitário Sérgio Catanzaro, o oftalmologista Weber Ferreira, o empresário Hilário Bianconcini, o servidor aposentado Arlindo Savi, o ex-dirigente da CPFL José Carlos Salgado e o engenheiro Antonio Clivatti.
O grupo pede que outros segmentos protestem contra a dívida confessada pelo prefeito. “Onde surgiu essa dívida, como ela cresceu tanto, por que chegou a esses R$ 15 milhões, qual é o contrato, quais foram as faturas e as medições, qual o controle de carga utilizado, por que fazer isso no final do governo, por que o governo não executa o encontro de contas com o que a CPFL deve?”, são outros questionamentos citados pelos cidadãos que realizaram o protesto ontem.
O grupo sugere que o Legislativo convoque uma audiência pública para discutir o assunto, a formação de uma comissão de investigação e medidas judiciais para impedir o pagamento das parcelas. A primeira parcela, de R$ 409 mil, vencerá em maio deste ano.