Bairros

Triagem de migrantes seria alternativa

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A criação de um centro de triagem de migrantes é sugestão para controlar o fluxo migratório em Bauru, evitando aumento do contingente populacional na periferia do município.

O coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, diz que a grande quantidade de migrantes muitas vezes acarreta problemas para Bauru. “Na maioria dos casos, eles estão desempregados e aumentam a demanda dos atendimentos sociais no município”, diz.

Ele mostra-se preocupado com a quantidade de pessoas que ao chegar na cidade instala-se em locais inadequados, como áreas de risco. Por isso, sugere um trabalho multidisciplinar para controlar e amenizar o problema.

Na opinião de Brito, é necessária a criação de um órgão que aborde as pessoas recém-chegadas à cidade e ofereça orientações e encaminhamentos - ao mercado de trabalho, por exemplo.

A entidade seria responsável também pelo controle do local em que essas pessoas se instalariam na cidade. Em casos extremos e necessários, o poder público, através da central de triagem de migrantes, forneceria a essa pessoa a até mesmo a passagem para que ela continue sua viagem.

“Muitas pessoas estão passando por Bauru e acabam ficando porque acabou o dinheiro ou porque encontraram aqui condições favoráveis para viver. Outros, vieram a procura de algum parente, não encontraram e não têm para onde ir”, argumenta.

Além do abrigo e do trabalho multidisciplinar para atendimento dos migrantes - com assistentes sociais e psicólogos, entre outros profissionais -, o coordenador da Defesa Civil avalia que seriam necessárias equipes de abordagens de pessoas em locais estratégicos da cidade, como o Terminal Rodoviário.

“Seriam feitas abordagens das pessoas que chegam sem destino definido. Depois de uma conversa, elas seriam encaminhadas ao centro para o atendimento”, expõe.

Brito avalia que Bauru atende bem a população carente e essa característica representaria um atrativo para moradores de cidades da região. “Muitas entidades atendem a primeira necessidade do ser humano, que é a alimentação. Temos uma boa rede de saúde espalhada, além de escolas. Fora as ONGs sociais espalhadas pela periferia”, cita.

Sebes

A secretária municipal do Bem-Estar Social, Rosa Maria Otuka Barbosa Pereira, confirma que não há controle de migração em Bauru. Ela acredita, entretanto, que o cadastramento único que a Sebes está realizando com objetivo de elaborar um mapa social da cidade será um mecanismo de auxílio na orientação às pessoas que vêm de outros municípios.

“Não é um controle. É um levantamento para que a gente possa ter noção da quantidade de migrantes. Para ter um controle maior da migração, precisamos conhecer a quantidade de pessoas”, explica Rosa.

Ela afirma que atualmente o trabalho da prefeitura com relação a essas pessoas é de orientação. A Sebes faz encaminhamentos para inserir os “novos bauruenses” em programas como bolsa-escola, nutri-bebê, além de cursos de geração de renda. “Absorvemos as pessoas de fora e as orientamos, diz.

O trabalho de mapeamento social que está sendo realizado pela Sebes está subsidiando projetos do novo Plano Diretor, que irá também propor alternativas para as comunidades que vivem em favelas ou locais de risco.

Rosa avalia que seria interessante que Bauru dispusesse de um controle de migração para orientar as famílias sobre a realidade do município e sobre o que ele tem a oferecer aos que estão chegando. “O município tem a busca de controlar a migração. Principalmente agora com o Plano Diretor. É importante mostrar nossa realidade para as famílias”, reforça.

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