“A candidatura de uma mulher tem que surgir espontaneamente. Não há porque se fazer reserva.” A opinião é do presidente da executiva municipal do PFL, Dudu Ranieri, atual vice-prefeito de Bauru. O pefelista reforça sua tese: “Aliás, sou contra cotas de reserva para tudo, inclusive para negros em universidades.”
Ele reconhece que há muita dificuldade para atrair mulheres ao mundo político. “Todo ano de eleição a coisa mais difícil do mundo é você conseguir apresentar 30% de mulheres na chapa de vereadores”, reclama. O vice-prefeito, porém, defende a igualdade da ala feminina nos assuntos políticos. “A mulher deve participar em igualdade de condições com o homem”, diz.
Dudu acha que a própria formação da mulher acaba afastando-a do meio. “Embora as mulheres estejam avançando - vejo isso na minha faculdade, onde elas são maioria -, ainda há uma dependência muito grande dos maridos. No passado, a mulher era para ficar em casa, cuidar dos filhos. Ainda há indícios desse comportamento hoje”, analisa. “Uma candidata tem coragem de entrar em boteco para pedir voto?”, questiona.
A suplente de vereadora Chiara Ranieri (PFL) também vê dificuldades na participação da mulher na política. “Vejo que não há muito interesse. Não é muito do perfil da mulher de hoje. A conquista desse espaço vai acontecer naturalmente. A partir do momento em que houver mais mulheres nas Câmaras Municipais e no Executivo, a atração será natural.”
Para ela, a mulher conquistou outros espaços, distantes do mundo político. “Uma campanha política é muito desgastante para a mulher, que tem que freqüentar em espaços que ela não gosta, como entrar em botecos para conversar.” Na campanha de 2000, Chiara garante que não foi menosprezada pelo partido e muito menos pelos colegas de disputa. “A única dificuldade era conciliar minhas atividades profissionais com a campanha”, finaliza.