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Sociedades mutáveis


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Colocadas diante do painel de discrepância e dissonância que se instalou no universo e vai tomando espaço na existência das pessoas, as sociedades humanas questionam entre si tentando descobrir como poderão vir a ser os seus contextos no futuro que elas têm pela frente e que virá irrevogavelmente. Deverão ser muito diferentes dos atuais, tão nossos conhecidos? Não há dúvidas porque já mudaram bastante através dos tempos e, então, sua tendência tem íntimas relações com a instabilidade: tudo o que é hoje não deverá continuar amanhã, avançando ou recuando ininterruptamente, modificando então todo o seu modelo com novas caras, novas vestimentas e novas maneiras de fazer as coisas.

Conforme registra a infalível história, na Grécia Antiga, filósofos como Platão, na obra “República”, e Aristóteles, em “Política”, embrenharam-se em reflexões profundas sobre os destinos das sociedades, mas não conduziram os seus passos sobre pistas análogas. Não chegaram a conclusões iguais e nem semelhantes. O mesmo aconteceu a pensadores da Idade Média, entre os quais Santo Agostinho, em “A Cidade de Deus”, e São Tomás de Aquino, em “Regimini Principium”, os quais perderam tempo prenunciando como seriam as sociedades vindouras. E não ficaram sozinhos na longa estrada, lembrando-se que durante o Renascimento Tomás Campanella em “A Cidade do Sol”, Tomás Morus em “Utopia”, Francis Bacon em “Nova Atlântida”, Maquiavel em “O Príncipe”, Tomás Hobbes em “Leviatã” e Jean Jacques Rousseau em “Contrato Social” acharam que as sociedades porvindouras não seriam tão estáticas como às de seus tempos e, então, num só terremoto cairiam por terra, como realmente já aconteceu e vai continuar ocorrendo.

Constata-se, então, que não foram poucas as tentativas feitas no sentido de mudar os rumos dos grupos sociais, objetivando que as suas normas e valores, considerados imutáveis e universais, pudessem ser modificados de acordo com as imposições humanas, sempre desejosas de avanços. Muito se tem feito com tal propósito, face ao que no século 20 a Sociologia, fundada por Augusto Comte, criou padrões para a realização de uma pesquisa científica que acabou provocando mudanças laterais no trabalho teórico dos sociólogos a fim de que a ciência sociológica viesse a se purificar de suas preocupações de caráter filosófico, batendo-se ardorosamente tendo em vista a formação da sociedade ideal, mais prática, humana e comunicativa, com que todos sonham e a ela têm direito. E mais transformações são aguardadas para o progresso social das populações. Quem tiver vocação para esperar vai testemunhar. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

Entre as ruínas sempre poderá nascer a flor dos nossos sonhos. R. Schneider”.

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