O PDT apertou a tecla replay e movimentou ontem as mesmas cenas que inviabilizaram a dobradinha Tuga Angerami - na época no PSB - e Estela Almagro (PT) semanas antes do início da campanha das eleições municipais de 2000. De surpresa, na tarde da última sexta-feira, o presidente da executiva do PDT, vereador Faria Neto, e o pré-candidato a prefeito, Tuga Angerami, vetaram os nomes de Estela Almagro e José Carlos Batata - ambos do PT - para ocupar a vaga de vice na chapa que será encabeçada pelo ex-deputado federal.
Mesmo assim, o PT decidiu manter a conferência municipal que apontou os rumos do partido para as eleições de outubro. O destino que havia sido selado, porém, vai se desfazer nas próximas horas. A direção municipal do partido vai se pronunciar ainda hoje sobre a embaraçosa situação na qual as lideranças e dirigentes petistas foram envolvidos. Mas o rompimento é praticamente certo.
Há mais de três meses, dirigentes e lideranças pedetistas afirmavam e reafirmavam “juras de amor” ao PT, com declarações que cada vez mais se afunilavam para a aliança. Mas o velho jargão de que “a política é dinâmica” prevaleceu nos últimos capítulos da novela PT/PDT.
O presidente da executiva municipal do PDT, vereador Faria Neto, foi escalado pelo grupo tuguista para explicar a reviravolta nos últimos dias. Ele garante, porém, que a aliança está em pé.
“Queremos essa aliança com o PT para marchamos juntos e ganharmos a eleição. Agora, gostaríamos de pensar outros nomes que não o de Estela e Batata”, justifica.
Faria explica que, em relação a Batata, o PDT já havia declarado restrições. “Todos os vereadores estão desgastados. A Câmara está desgastada. Se amanhã um candidato chamar o Faria Neto para vice, vou pedir para ele repensar. Embora a maioria dos vereadores esteja bem, mas existem restrições. As pessoas generalizam”, argumenta.
O parlamentar do PT está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) em denúncias de viagens irregulares que teriam ocorrido em 2001 e 2002 com veículos oficiais do Poder Legislativo. “Na véspera da eleição, isso poderia ser explorado pelos adversários. Queremos a melhor opção. O Tuga é um candidato de ponta, sem mácula”, lembra.
O presidente da executiva do PDT não é claro sobre o veto a Estela. “A opção da Estela também foi questionada e foi dito que não era a melhor para a composição da chapa. Não é nada pessoal contra ela e nem contra o Batata”, diz. “O partido se reserva ao direito de vetar. Explicamos a eles porque deveriam escolher outros nomes”, complementa, sem citar os motivos.
Faria conta que na tarde de sexta-feira - a um dia da conferência municipal do PT - Estela e Batata foram chamados para uma reunião. “Gostaríamos que a conferência de sábado apenas afirmasse que o PT e o PDT vão marchar juntos. Os nomes, conversaríamos depois. Insistimos para que o nome do Tuga fosse retirado da cédula”, relata. “Mas eles (Batata e Estela) afirmaram que tinha que ser os dois, sem outras opções.”
O dirigente pedetista reforça, mais uma vez, que a aliança com o PT está mantida. “Eu quero que a coligação seja feita. Vai ocorrer uma conversa com o PT de Bauru com o PT de São Paulo. Simplesmente fizemos essa colocação: gostaríamos que outros nomes fossem sugeridos. Esperamos que isso aconteça.”