Regional

ETE de Botucatu retoma as aulas

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - Depois de dois meses de paralisação, 100% dos professores da Escola Técnica Estadual (ETE) “Domingos Minicucci Filho”, de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru), retomaram as atividades ontem. Com isso, cerca de 800 estudantes dos cursos de eletrônica, eletrotécnica, mecânica, enfermagem e nutrição voltaram para as salas de aula.

Em todo o Estado, de acordo com o comando de greve, cerca de 60% dos professores e servidores das unidades vinculadas ao Centro Paula Souza permanecem paralisados. Na região, os estudantes da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú ainda estavam sem aulas até ontem.

Em Botucatu, de acordo com o coordenador dos cursos da ETE de eletrônica e eletrotécnica, Manoel Carlos Gomes, o risco dos alunos perderem o semestre foi um dos motivos que levou os professores a interromper a greve.

“Esse era um momento limite para que a gente pudesse compensar essas faltas. Caso contrário, os alunos sofreriam com a perda do semestre, já que não houve acordo com o governo (do Estado)”, afirma. Em uma reunião realizada na terça-feira passada, a categoria decidiu pelo fim da paralisação na escola.

A decisão dos professores, segundo Gomes, também foi tomada com o objetivo de não comprometer o “vestibulinho” que será realizado na metade deste ano. Caso o processo seletivo fosse cancelado, não só os alunos como também os professores poderiam sofrer prejuízos. “Se não há vestibulinho no meio do ano, as classes são diminuídas. Portanto, na escolha de aulas, alguns professores não-concursados poderiam até perder o emprego”, afirma Gomes.

Outro motivo para o retorno, de acordo o professor, seria a eleição prevista para o próximo dia 22 para a escolha do novo diretor da ETE. “É um processo que a gente considera importante e nós gostaríamos que os alunos estivessem dentro da unidade para poder, democraticamente, escolher a nova direção”, diz.

Segundo Gomes, os professores já montaram um calendário para reposição das aulas, entretanto a aprovação depende do Centro Paula Souza. A reposição deve ser realizada aos sábados e durante todo o recesso de julho. O início do processo está previsto para o próximo dia 24.

Dos 53 professores da ETE de Botucatu, apenas seis não aderiram ao movimento grevista, deflagrado no último dia 19 de fevereiro. Os funcionários técnico-administrativos também mantiveram as atividades.

Segundo a professora Miyoko Inoe, os grevistas teriam sofrido pressão do Centro Paula Souza para retornar às aulas. Nos dois meses de greve, os dias de paralisação foram descontados.

Miyoko ressalta que, apesar da interrupção do movimento em Botucatu, os professores continuam revoltados com a postura do governo. “Nós estamos muito chateado, porque não tivemos a questão resolvida e o governo nem ao menos sinalizou alguma negociação”, diz.

Reivindicação

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público Estadual, Técnico, Tecnológico e Profissional do Estado de São Paulo (Sinteps), cerca de 60% da categoria permanecem em greve no Estado. Já a assessoria de imprensa do Centro Paula Souza diz que esse número não ultrapassa 30%.

A categoria reivindica uma reposição de 72,22% referente às perdas salariais dos últimos anos, além do aumento de verba para as escolas. O Centro Paula Souza justifica que o governo estadual não pode atender ao pedido porque estaria no limite de gastos com pessoal, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

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Jaú

Na Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú, de acordo com o professor Hilton Aparecido Garcia, não há previsão do retorno das aulas. Ele, que é representante da Associação dos Docentes das Faculdades de Tecnologia (Adfatec), não descarta a possibilidade dos alunos perderem este primeiro semestre.

“Nós decidimos que a greve permaneceria até que o Estado se dispusesse a fazer alguma negociação. E até o momento, com todo esse tempo paralisado, o governo não se prontificou a dar qualquer tipo de resposta”, diz. Segundo ele, cerca de 600 alunos da faculdade estariam sendo atingidos pela paralisação, desde o último dia 3 de março.

Além da reposição salarial, os professores de Jaú também reclamam da falta de investimentos em infra-estrutura, atualização dos laboratórios e equipamentos - fato que estaria comprometendo a qualidade do ensino. Na unidade, o movimento tem adesão total dos funcionários técnico-administrativos e professores.

De acordo com Garcia, o governo ampliou a Fatec de Jaú recentemente, entretanto não teria investido em equipamentos. “Na verdade, o que tem acontecido é que o governo tem aberto novas unidades mas não tem garantido infra-estrutura, principalmente em termos de montagem de laboratórios”, diz.

Na região, além de Jaú, a Fatec e a Escola Técnica (ETE) Jacinto Ferreira de Sá, ambas de Ourinhos, também permaneciam paralisadas até ontem.

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