A comissão executiva municipal do PT anunciou oficialmente ontem o rompimento com o PDT, partido com o qual pretendia se coligar para disputar as eleições de outubro deste ano. Em nota oficial, os petistas classificam como traição o veto imposto pelo comando do PDT aos nomes de Estela Almagro e José Carlos Batata para ocupar a candidatura de vice-prefeito na chapa do ex-deputado federal Tuga Angerami.
Anteontem, o presidente da executiva do PDT, vereador Faria Neto, anunciou publicamente que seu partido havia vetado a indicação de Estela e de Batata para compor a chapa majoritária com Tuga.
Os pedetistas alegaram que o vereador está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) em denúncia que envolve viagens irregulares com carros oficiais da Câmara. Em relação a Estela, Faria não apresentou justificativa para o veto. “Prefiro que o PT fale sobre isso”, resumiu.
No último sábado, o PT realizou uma conferência municipal que havia selado a coligação com o PDT. A situação embaraçosa entre as lideranças dos dois partidos começou a ganhar corpo quando os pedetistas - convidados a participar do final da festa petista - não compareceram à Câmara Municipal.
As especulações ganharam os bastidores sobre o comportamento de Tuga e Faria Neto. Na segunda-feira, surgiu a explicação oficial do PDT, pondo fim ao mistério.
Nota oficial
Na nota distribuída à imprensa, a direção do PT diz que se sente “traída e indignada” pelo comportamento do PDT. “Traídos e indignados porque agora se evidencia a incompreensível articulação para expor as lideranças do partido, usando-o estrategicamente para se aviltar em dividendos políticos”, posiciona-se.
Ao mesmo tempo que mostra indignação, a nota esclarece que o partido “se alivia” com o rompimento, mesmo que em “momento impróprio”. “Ainda temos tempo de melhor selecionar nossos parceiros para o grande desafio que serão as eleições de 2004 em Bauru, lamentando a postura dos líderes pedetistas”, expõe.
A direção petista afirma que não aceita ingerência “de fora para dentro”. “Ou seja, que caciques de outros partidos assim queiram proceder com o PT.”
O documento explica, ainda, que a aliança com o PDT estava sendo construída ao longo dos últimos 12 meses. “Uma aliança eleitoral, imaginando que o fazia com lideranças sérias e comprometidas com a construção de um programa comum pelo bem da cidade.”
Para a direção petista, os pedetistas tomaram uma decisão “inesperada e sorrateira” ao impor veto a nomes. “Fazem coro àqueles que afirmam à pouca penhorabilidade de sua palavra. Não é demais lembrar as eleições de 2000, quando o mesmo lamentável ‘incidente’ ocorreu.”
Encerrando a nota, a direção petista informa que vai agendar um novo encontro municipal para redirecionar a estratégia eleitoral do partido.
O coordenador estadual do PT para as eleições, Antonio dos Santos, também estranhou a decisão do PDT. “Estive com o Tuga por duas vezes no final do ano passado. Lembramos o ocorrido na eleição de 2000, quando foi inviabilizada a dobrada com o PT. Ele me garantiu que esse fato não iria se repetir novamente. Estou surpreso. Acho que o Tuga deveria ter conversado novamente com o PT. Do jeito que foi imposto, é totalitarismo demais”, analisa.
O ex-deputado Tuga Angerami e o vereador Faria Neto - ambos do PDT - não foram localizados para comentar o assunto.