Criar e encaminhar um filho adotivo são coisas que se possam considerar difíceis? A indagação vem de muitos dos não adotantes, conscientes de que uma adoção não se esgota unicamente com o cumprimento de todas as formalidades legais exigidas pela Justiça. Vai tudo bem mais longe, mas ainda que dependesse somente disso certo é que a decisão teria tentáculos mais longos, por exigir atitudes incomuns de quantos se disponham a ter a seu lado, durante muito tempo, anos inclusive, alguém que não nasceu de suas próprias entranhas. É que em meio a todo o explícito cenário, a responsabilidade maior provém do ambiente familiar, no qual a vida do adotado pode crescer ou se atrofiar, inclusive até morrendo, donde se infere que a falta de preparação prévia da família pode, acidentalmente, resultar em sérios problemas não só para os genitores como para os demais moradores da casa, tais como avós, tios, primos e outros. É lógico, então, que para assumir a responsabilidade de verdadeiros pais têm estes que se prepararem adequadamente para a missão, a fim de que a criança venha a ser educada como autêntica filha.
Lembram educadores que quando uma mulher engravida toda a família se prepara a fim de receber o menino ou a menina, criando amoroso espaço para eles. Da mesma maneira, então, deve reservar, espaço carinhoso para o filho que adotar, percebendo que isso é uma decisão bastante séria porquanto constitui nada mais nada menos que assumir conscientemente a existência de um ser humano, havendo mestres segundo os quais todas as comunidades deveriam possuir em suas fronteiras tipos de escolas específicas para pais adotivos, tendentes a ensinar os adotantes a agirem com naturalidade, sem violência, muito diálogo e bastante delicadeza no encaminhamento social e familiar de seus ilegítimos, que de qualquer forma são símbolos expressos da vida humana, e, por isso, reclamam dos seus responsáveis correta interpretação dos valores educacionais.
Registrou, recentemente, o Ministério da Previdência Social e a Unicef (Fundo Internacional das Nações Unidas para ajuda à infância) que no Brasil morrem mais de mil crianças por dia com menos de um ano de idade, autêntico descaso que acontece, em boa parte, no amplo campo da infância adotiva existente na esfera da comunidade nacional. É lastimável, sem dúvida! É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Felizes os que sabem calar e sorrir mesmo quando lhes cortam a palavra, ou quando alguém os contradiz e lhes pisa os pés. Joseph Folliet”.