O vilarejo português que fica a menos de uma hora de Lisboa exerce também verdadeira fascinação nos turistas. Na história oficial do país, a vila medieval que fica a 245 quilômetros do Porto e a 95 quilômetros de Lisboa era usada como presente com o qual os reis agraciavam suas esposas.
São castelos pequenos, casas de pedra e tabernas noturnas que quase não sofreram mudanças em mais de 300 anos. Ainda hoje a região é abraçada por uma grande muralha, como se quisesse ficar protegida do progresso vizinho.
Só não faça da passagem por ali um programa de intenção cultural. Andar pelo vilarejo sem preocupações com dados que aparecem cada vez que se dobra a esquina torna a visita mais prazerosa. As ruas são estreitas e floridas, os carros escassos e os moradores prontos a contar histórias de reis. E os programas surpreendem quem espera encontrar uma vila de velhinhos arredios.
O ponto obrigatório na região baixa da cidade chama-se Lagoa de Óbidos, a maior do país que mede 6 quilômetros de comprimento por 2,5 quilômetros de largura. Um espetáculo natural é apresentado conforme a tarde se aproxima. Com o passar das horas, a cor das águas ganha tonalidades diferentes. É também onde se praticam esportes como remo e windsurfe e passeios típicos como os feitos pelas bateiras, embarcações à vara usadas no passado para pesca.
Tabernas
Sair à noite de Óbidos é saber como se divertiam os plebeus da era monárquica. Nas tabernas, barzinhos de teto baixo e porta estreita com capacidade para não mais do que 30 visitantes, as pessoas se encontram nas noites frias para tomar imperiais - modo como eles chamam a cerveja - e a obrigatória ginginha, licor vermelho e doce de alto teor alcoólico. Shows nas pracinhas da Rua Direita, uma das principais vias da cidade com as melhores lojinhas de artesanato, são outras boas atrações noturnas.
Há uma profusão de festivais e concursos exóticos por todo o ano. Exóticos aos olhos estrangeiros. A Temporada de Cravo vai de 10 a 25 de outubro com apresentações de músicos especialistas neste instrumento avô do piano. O Festival Internacional de Chocolate, entre 4 e 9 de novembro, reúne “chocolateiros” não profissionais de vários países e escultores que criam peças artísticas com a guloseima.
A origem de Óbidos ganha nova versão cada vez que um arqueólogo se interessa pela cidade. Escavações recentes trouxeram à tona um edifício romano que comprovou a presença deste povo durante 500 anos nas terras onde a cidade seria erguida. Mais impressionante é a data em que passaram por lá: do século 1 aos séculos 4 e 5. Foram também descobertas termas com uma piscina redonda e um banco e resquícios de outros três prédios. E tudo espalhado pelas estreitas vielas medievais.