Jaú - A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) desmantelou nesta semana parte de uma quadrilha especializada em roubo de caminhões, que atuava na região e em todo o Estado. Cinco pessoas foram presas durante as investigações, três delas na última segunda-feira.
Segundo o delegado titular da DIG, Edmilson Bataier, o caso deve ser encaminhado para a Polícia Federal, já que existem informações de que os veículos roubados teriam sido entregues à receptadores no Paraguai. “É uma quadrilha bem organizada e eu considero que esse seja apenas o começo da investigação. Com certeza outros envolvidos devem aparecer nos autos”, conta. Bataier acredita que a quadrilha praticaria uma média de três assaltos ao mês.
Segundo ele, a suspeita de liderar o grupo é Monike Blanc, 21 anos, que já esteve presa recentemente pela prática do mesmo crime. Desde 2002, a polícia tinha informações de que ela poderia estar agindo na região. Entretanto, somente depois do assalto a um caminhoneiro de Bocaina, registrado no último dia 25, a polícia conseguiu chegar aos acusados.
Conforme matéria publicada pelo JC, o roubo foi registrado em Torrinha e a vítima teria sido mantida em um cativeiro, na região de Jaú, por cerca de 24h. O caminhão foi interceptado e recuperado pela polícia em Nova Andradina (MS). Na ocasião, um dos integrantes do grupo, Claudinei Alves Garcia, 39 anos, foi preso em flagrante por receptação.
Durante o inquérito, a DIG descobriu que Garcia esteve hospedado no dia do assalto em um hotel na região central de Jaú e que uma mulher teria pago a conta do acusado. Com as informações, os investigadores chegaram no último dia 16 a Edna de Fátima Fim, 29 anos, a segunda acusada de integrar a quadrilha. Ela foi presa em sua residência, no município de José Bonifácio (SP), com o apoio da polícia local.
Junto com Edna, o delegado encontrou documentos e anotações que a vinculavam a Monike. “A partir daí já não havia mais dúvidas para a gente que era a quadrilha de Monike que estava atuando nesse caso e em outros registros na região”, conta o delegado.
Na última segunda-feira, em Mirandópolis (SP), os investigadores da DIG, com o apoio da polícia civil da cidade, chegaram até a residência de Monike e outros dois acusados, Roberto Carlos Mendes, 34 anos, e Marciano Alves, 23 anos, foragidos da Penitenciária de Campo Grande (MS). Todos foram presos durante a operação. “Eu estou pedindo a prisão preventiva e acho que ela deve ser decretada”, diz o delegado.
Os acusados devem responder por roubo, cuja pena prevista vai de quatro a dez anos de prisão, e formação de quadrilha, pena prevista de um a três anos. Além desses crimes, Mendes e Alves devem responder pelo uso de documentos falsos.
Forma de atuação
Segundo Bataier, a polícia investiga a participação da quadrilha em crimes praticados na região e em outras cidades do Estado. O delegado afirma que o modo de atuação da quadrilha seria sempre o mesmo. Do Paraguai, os receptadores entrariam em contato com Monike, encomendando um tipo de veículo específico. “Eles forneciam todas as características do produto que queriam”, conta Bataier.
Segundo o delegado, próximo à região onde seria praticado o crime, Monike deixava em um hotel o motorista contratado para transportar o veículo roubado. Em seguida, junto aos demais integrantes da quadrilha, ela deslocava-se de carro até a estrada, com o objetivo de interceptar um caminhão com as características encomendadas pelos receptadores. A ação ocorria sempre durante o dia, tendo como alvo caminhões sem carga.
Na estrada, o grupo ultrapassava o veículo-alvo, distanciando-se cerca de cinco quilômetros. Depois disso, segundo Bataier, Edna permanecia no acostamento pedindo carona ou simulando um pedido de ajuda, enquanto outros dois acusados permaneciam às margens da rodovia, escondidos na mata.
Quando a vítima parava, era rendida pelo grupo. Em seguida, o caminhoneiro era amarrado e colocado dentro do próprio caminhão, sendo levado para algum cativeiro.
Na última parte da ação, o veículo roubado era levado pelo motorista contratado até os receptadores no Paraguai.
• Serviço
A polícia comunica às vítimas de roubo de caminhão para irem à DIG fazer o reconhecimento dos acusados. O telefone da DIG é o (14) 3622-1174.