Funcionários de estabelecimentos de saúde de Bauru, como hospitais e clínicas, não estão tendo acesso à linha de empréstimos pessoais com desconto em folha de pagamento. A modalidade de crédito está disponível desde outubro do ano passado para os trabalhadores após convênio firmado entre a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e instituições financeiras.
“Há pessoas que estão até tendo de se desfazer de coisas pessoais. Isso está enrolado desde março”, afirma um funcionário de uma clínica médica, que não quis se identificar com medo de represálias. Para ele e para outros trabalhadores da Saúde ouvidos pelo JC, a culpa pelo problema é do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Bauru (Seessb), a quem caberia possibilitar o empréstimo junto aos bancos.
Por sua vez, a presidente do Seesb, Marilsa Sales Braga, declara que o sindicato já cumpriu sua parte, intermediando os convênios junto à Caixa Econômica Federal (CEF) e ao Banespa. “O sindicato negociou os juros, o prazo. A parte do sindicato está prontinha”, diz. De acordo com o informativo do sindicato, os juros acertados variam de 1,75% a 3,3% ao mês, com prazo de pagamento de seis a 36 meses.
A Caixa é a maior fomentadora de empréstimos com desconto em folha de pagamento. Conforme divulgado pelo JC em janeiro, a região de abrangência do Escritório de Negócios da Caixa em Bauru teria R$ 35 milhões disponíveis para essa modalidade em 2004, sendo R$ 7 milhões apenas para o município.
A versão do sindicato é confirmada em parte pela assessoria de imprensa da CEF. Segundo a assessoria, em 15 de março deste ano a instituição assinou convênio com a Confederação dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado de São Paulo.
Desde então, caberia às empresas cujos funcionários pertencem a essa base da Confederação, privadas ou particulares, procurar uma agência da instituição para aderir ao convênio. “Em Bauru, as agências da Caixa aguardam a apresentação da documentação por parte das empresas para a análise e assinatura do Termo de Adesão, para posterior contratação com os empregados interessados”, informa a assessoria.
AHB
De acordo com Marilsa, parte dos estabelecimentos de saúde de Bauru já enviou ou está providenciando os documentos para aderir ao convênio. No entanto, o Hospital de Base (HB), o maior de Bauru, com cerca de 1.400 funcionários, ainda não teria se pronunciado sobre o assunto.
“O Base nem sequer providenciou o documento. É um hospital que está totalmente omisso e onde há uma procura maior, porque há mais funcionários”, diz a presidente do Seessb. Na opinião dela, a diretoria da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - que abrange o HB, o Hospital Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel - estaria “empurrando com a barriga” a questão. O diretor da AHB não foi encontrado para comentar o assunto.
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Eleições
Embora a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Bauru (Seessb), Marilsa Sales Braga, afirme que a maior parte das empresas já enviou a documentação, trabalhadores do setor ouvidos pela reportagem (eles não quiseram ter o nome divulgado por medo de represália) sustentam que nenhum estabelecimento proporcionaria o benefício do empréstimo em folha de pagamento até o momento. Eles acusam Marilsa de ter utilizado o anúncio do convênio para fins eleitorais.
Isso porque o informativo do Seessb de abril anuncia que o convênio está assinado, embora ressalve a condição de alguns empregadores - entre eles a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - , que ainda não teriam enviado a documentação. As eleições para a diretoria do sindicato ocorreram no último dia 5.
Marilsa refuta a afirmação com um argumento simples: o interesse maior pela assinatura dos convênios é do próprio sindicato, pois os trabalhadores associados à entidade têm vantagens em relação a juros. “Se estivesse em vigor, seria até mais fácil atrair sócios para o sindicato”, diz.