Economia & Negócios

Empresas bauruenses reclamam de concorrência desleal

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

A concorrência desleal gerada por economias diferentes, como é o caso entre Brasil e China, tem causado sérios prejuízos financeiros a empresas dos mais variados setores. Fábio Vecchi Fidalgo, gerente de uma fábrica de painéis eletrônicos em Bauru, diz que já encontrou preços “absurdamente mais baratos” de painéis vindos de países asiáticos sendo comercializados em Bauru.

“É claro que a qualidade não tem comparação, mas nós temos perdido uma quantidade muito grande de negócios em função da entrada desenfreada de produtos de lá no País todo. O primeiro reflexo é a queda nas vendas, situação que já se arrasta há vários anos, porque os produtos asiáticos entram aqui com grande facilidade via Paraguai”, lamenta o gerente.

Em contrapartida, empresas brasileiras que trabalham honestamente, como a que Fidalgo gerencia, têm um custo altíssimo só para homologar um painel eletrônico. Outro grande problema enfrentado por essas empresas, segundo ele, é a entrada no País de componentes eletrônicos vindos da China. “Eles dominam essa tecnologia, só que mandam para cá componentes de qualidade muito baixa. Fábricas de menor porte compram esses produtos com freqüência, porque são bem mais baratos.”

O economista e gerente de uma fábrica de semijóias, Wagner Ismanhoto, diz que um grande problema enfrentado é que o governo chinês dá total apoio para as empresas de lá, enquanto os empresários brasileiros amargam uma burocracia, no mínimo, frustrante.

“Paralelamente a esse apoio, o país (China) tem sérios problemas sociais, como fome e a miséria da população. Isso faz com que o custo de produção lá seja baixíssimo. Além disso, aqui nós sofremos com uma carga tributária absurdamente alta. Com tudo isso, os chineses estão invadindo o mundo”, destaca.

Ismanhoto afirma que não vê com otimismo a visita que o presidente Lula fará à China em maio. “Acho que o Brasil precisa ver de que forma estamos colaborando para o crescimento deles e para o nosso enfraquecimento no mercado mundial. Na minha opinião, sobretaxar as matérias-primas que enviamos para lá poderia ser uma boa medida nesse momento.”

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