Cultura

Criadora dos sacis

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos grandes símbolos do folclore brasileiro, o saci, sempre esteve presente na imaginação das crianças. Na literatura, ele serviu de inspiração para a criação de um dos personagens mais conhecidos do escritor Monteiro Lobato, que completaria aniversário este mês.

Em pequenas propriedades rurais localizadas em cidades interioranas, o saci é tema dos famosos “causos” contados pelos moradores mais antigos. Alguns afirmam já o terem visto e fazem questão de transmitir aos familiares e amigos as centenas de histórias envolvendo os sacis. Uma dessas pessoas é a dona-de-casa Maria Tereza Oliveira Guimarães, de 69 anos. Moradora de Botucatu, ela é membro da Associação Nacional dos Criadores de Saci (ANCS). Existente há 19 anos, a entidade visa esclarecer curiosidades sobre o saci e conta com a participação de médicos, músicos, engenheiros, dentistas, professores, biólogos e outros interessados.

Juntamente com seu neto Rodrigo Guimarães Wagner, de 11 anos, Dona Tereza (como é chamada pela garotada) coordenou uma oficina de contação de histórias denominada “Causos de Sacis” na última terça-feira, durante a 4.ª Feira do Livro Infantil, encerrada semana passada no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”.

Dona Tereza afirma que cria e mantém contato com sacis em seu sítio (localizado em Porangaba, a poucos quilômetros de Botucatu). Com um largo sorriso estampado no rosto, ela prendeu atenção dos pequenos ao revelar, com detalhes, diversas histórias envolvendo sacis. Todas traziam, de forma lúdica, mensagens educativas. Entre elas, a preservação do meio ambiente e a importância de se resgatar brincadeiras sadias.

Apesar de ser considerado apenas uma lenda para muitas pessoas, o saci é tido como um elemento de destaque da cultura popular brasileira. De acordo com Dona Tereza, mais do que acreditar ou não em sua existência, é necessário ressaltar que o mito pode ajudar a incentivar os pais a contarem histórias a seus filhos.

Em uma conversa com a equipe do JC Cultura, ela falou sobre as características dos sacis, explicando como o fato de contar histórias sobre eles pode contribuir para estreitar laços familiares e resgatar a cultura brasileira.

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