Em Bauru, é grande a quantidade de pessoas que trabalha em família. Basta cada um observar em seu bairro que certamente encontrará exemplos dessa prática. São padarias, mercados, confecções, bares, restaurantes e lojas, entre outros estabelecimentos.
O município não tem estatísticas que apontem a quantidade de empresas familiares em Bauru. Entretanto, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, afirma que há muitas delas instaladas na cidade.
Vão desde grandes empresas a negócios de fundo de quintal. Muitos deles não registrados. Montar uma empresa e empregar familiares também é uma alternativa para o desemprego.
Economistas e profissionais do ramo enfatizam que para que a empresa familiar tenha bons resultados é preciso separar aspectos profissionais e pessoais. Dessa forma, conflitos e desgastes emocionais podem ser evitados.
Quem vive essa experiência conta que há aspectos positivos e negativos do trabalho em família. A confiança é bastante citada como a parte boa disso tudo. Por outro lado, trabalhar com parentes gera também atritos.
Há cerca de 20 anos, João Gomes e sua esposa, Jô dos Santos, trabalham em casa com a família. Eles confeccionam móveis e outros objetos de artesanato em madeira. Os seis filhos cresceram aprendendo com os pais e hoje fazem parte da sociedade, que conta também com um genro e um neto.
Atualmente, eles moram e trabalham numa casa localizada no Jardim Colina Verde. São nove pessoas: o casal, seis filhos, um genro e um neto.
Eles gostam do estilo de vida que levam. “Eu acho que trabalhar em família é a única maneira de sobreviver hoje. Trabalhando junto, a gente consegue viver melhor. Ficamos juntos 24 horas por dia e o outro está sempre ali para ajudar”, diz João.
Jô cita problemas de relacionamento, que são difíceis de evitar. “Passamos muitas horas juntos. É um aprendizado para os pais e para os filhos. É bastante difícil, mas eu acho que diante de todas as dificuldades que estão aí, é uma grande vitória em termos de relacionamento”, avalia.
Por outro lado, ela afirma que há mais confiança e mais conversa entre membros da família. Tudo é discutido em reuniões. “É gratificante porque você pode discutir as coisas mais abertamente. Você tem a confiança do dinheiro e sabe que ninguém vai te sacanear”, argumenta Jô.
Ela conta que a empresa e a família têm o mesmo caixa. O genro é o único que tem pagamento diferenciado porque não mora na mesma casa e, portanto, tem despesas extras. “Aqui em casa a gente se ajeita de forma diferente. Não tem aquele egoísmo do dinheiro. Quem precisa de alguma coisa compra”, explica.
Outra vantagem apontada pela mãe é a possibilidade dos filhos darem continuidade ao trabalho dos pais. “Deixamos bem livre para que eles trabalhassem fora ou com a gente. Mas acabamos nos agrupando numa comunidade”, destaca.
Uma das filhas do casal, Elisângela Sena dos Santos, afirma que já trabalhou fora mas não se adaptou. “Dentro de casa, fazemos sempre o que vai ser melhor para todo mundo. Dá para cuidar dos filhos, por exemplo. Fazemos como podemos e, quando precisa, trabalhamos mais”, justifica.
João cita como vantagem do trabalho em família a possibilidade de acompanhar o crescimento dos filhos e dos netos. “É uma coisa muito boa para a família brasileira e acho que para qualquer família do mundo. Não tem coisa melhor do que dividir a vida com seus filhos”, avalia.
Jô complementa, dizendo qual é o grande segredo para obter êxito num empreendimento como o da família Gomes. “É não ser intransigente”, frisa.