Bairros

Negócios podem abalar vínculo afetivo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Do ponto de vista emocional, também é importante ter cuidados para que conflitos profissionais não prejudiquem relacionamentos familiares. É o que afirma a psicóloga Luciana Biem.

Ela explica que conflitos são muito comuns quando o assunto é trabalho em família. “Muitas famílias rompem relações afetivas por conta do desgaste na empresa. As pessoas levam discussões do trabalho para casa. Aumenta a possibilidade de desgaste na relação porque eles acrescentam mais um problema em suas vidas”, expõe.

Nesses casos, a dica é não levar preocupações do trabalho para casa e não discutir assuntos da empresa em reuniões familiares. “O ideal é não misturar o profissional com a família. Se você fica com as mesmas pessoas o dia inteiro, inclusive em casa, o desgaste emocional é muito grande. As pessoas não são perfeitas e acabam atacando umas às outras”, diz Luciana.

Por outro lado, é importante não levar assuntos de casa para a empresa. Por exemplo, não usar exemplos de casa para criticar a desorganização do outro no trabalho. “Nesse aspecto, quando a empresa não é familiar fica mais fácil porque a relação entre os funcionários é estritamente profissional. Não há vínculo afetivo”, destaca.

De acordo com Luciana, para evitar problemas, deve-se deixar claro quais são os papéis de cada um dentro da empresa, que devem ser independentes das relações de parentesco.

“O que tem que ficar claro é que as pessoas vão desempenhar papéis diferentes. Vão ocupar cargos diferentes e se submeter às funções do cargo, independente de serem pai, irmão, etc.”

Além disso, a psicóloga sugere que os perfis de cada membro da família sejam avaliados antes de designar funções. “Cada cargo exige um tipo de pessoa. É importante saber quem tem o perfil para o cargo. Não adianta colocar alguém para ajudar, mas que não tem o perfil e pode acabar atrapalhando”, explica.

Aceitar críticas também mostra profissionalismo. “As pessoas têm que saber que vão ouvir críticas como ouviriam em outro ambiente de trabalho e não podem levar isso para o lado pessoal. Isso minimizaria os desgastes”, enfatiza.

De acordo com Luciana, tudo requer disciplina. A tarefa não é fácil. “Essa linha de divisão é difícil de conseguir. Exige esforço e disciplina. Mas é possível dar certo e, quando isso acontecer, a família vai se sentir bem”, afirma.

A psicóloga lembra que a união da família deve prevalecer tanto em momentos de dificuldade quanto nos momentos em que a empresa estiver dando bons resultados.

“Às vezes, as pessoas só se unem quanto têm retorno. O problema é quando os negócios vão mal e a sociedade acaba. Às vezes, prejudica o lado familiar. As pessoas não podem deixar chegar a esse ponto”, ressalta.

Entretanto, Luciana cita como vantagem a confiança que existe entre parentes. “As pessoas preferem eleger os familiares no negócio. Em contrapartida, têm uma pessoa de confiança. Quando há harmonia e as pessoas são responsáveis, a confiança é muito grande”, frisa.

Comentários

Comentários