Economia & Negócios

Contra crise, Apas sugere reciclagem

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Num cenário de consumo em queda e sem perspectiva de melhora a curto prazo, a única saída é “reciclar os conceitos” para atingir o consumidor. Essa é a tônica do presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, que ontem esteve em Bauru para o lançamento da 20.ª Convenção da entidade, que será realizada de 10 a 13 de maio em São Paulo.

“No ano passado, 33% de marcas líderes perderam participação no mercado. Houve uma migração de marcas premium para as mais baratas, mas você continua expondo suas mercadorias do mesmo jeito, mesmo diante dessas mudanças?”, indaga Honda. Justamente, o tema da convenção da Apas deste ano é “Reciclando conceitos para atender o consumidor”, uma tentativa da entidade de levar informações e sugestões de mudanças para os supermercadistas, os pequenos em especial.

Apesar da tentativa de dar um novo fôlego ao setor no Estado, Honda reconhece que os números não são nada animadores. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgados na última semana mostram que as vendas dos supermercados acumularam queda de 2,38% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente da Apas também cita a concorrência cada vez mais acirrada no setor. Segundo ele, a oferta de metro quadrado aumentou 25% nos últimos quatro anos, ao passo que a venda por metro quadrado caiu 10% apenas em relação ao ano passado. “Imagine um mercado em queda que, ao mesmo tempo, tem aumento de oferta de varejo”, diz.

Honda também afirma que a entidade não nutre esperanças de mudança de rumos na política econômica em breve, como uma diminuição radical da taxa básica de juros. “Nós sabemos, qualquer economista sabe hoje, que o governo está atado. Não adianta reclamar”, afirma. E acrescenta: “Nós já tivemos um primeiro trimestre de queda, mas eu acredito que se há uma tendência de melhora será a partir do segundo semestre”.

Reciclagem

Entre as saídas apontadas para tentar alavancar as vendas nos supermercados, Honda aposta no conceito de “loja dentro de loja”. Na prática, isso significa criar setores dentro das lojas com layout e produtos específicos para determinado segmento, como bebês ou animais de estimação. “Não adianta vender só ração ou só fraldas. É necessário ter todos aqueles produtos agregados”, diz.

Honda também aponta que embora tenha havido mudanças na composição das classes sociais, o consumo hoje está intimamente ligado ao estilo de vida. “Essa questão da vida saudável, por exemplo, está provocando alterações no mercado. O consumo de produtos diet e light dobrou nos últimos três anos: passou de US$ 1,7 bilhão em 2000 para uma previsão de US$ 3 bilhões neste ano. Em reais, isso é mais que o dobro”, declara.

O diretor regional da Apas, Jad Zogheib, concorda com essa visão - e já aplica em suas lojas. “Nosso objetivo é acompanhar os hábitos e mudanças do consumidor. Precisamos estudá-los cada vez mais”, afirma. E completa: “Infelizmente o consumo está estagnado. E é evidente que isso só vai aumentar quando houver emprego e renda. Enquanto isso, precisamos nos reciclar e aperfeiçoar”.

O presidente da Apas também cita as “centrais de negócios” como alternativa para fazer frente às grandes corporações supermercadistas (para quem a crise passa longe). “Hoje estão se formatando as centrais de negócios, as cooperativas de compras. São empresas menores que se associam para poder comprar de uma forma mais competitiva. Quem não entra numa central de negócios hoje fica para trás”, recomenda.

A diretoria regional da Apas conta hoje com 80 associados de 40 municípios da região. O Interior do Estado é hoje responsável por 40% do faturamento do setor em são Paulo.

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