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Alunos de química estão em greve há duas semanas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A greve dos cerca de 80 alunos do curso de química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) já completa duas semanas. O protesto foi desencadeado para pressionar a reitoria a construir mais um laboratório.

Atualmente, os estudantes que optaram pela carreira dividem dois laboratórios com universitários de outros cursos. Um deles é utilizado por cerca de 300 alunos, que fazem graduação em física, biologia, e engenharia elétrica, mecânica e civil.

“Em cada aula (no laboratório) entram 15 pessoas, sendo que as turmas têm em média 30 alunos. A partir do próximo semestre, quando os créditos aumentam e entram os alunos de engenharia de produção, não vão (os laboratórios) comportar todo mundo”, diz a estudante do 3.º ano de química, Andressa Yurie Kuwana.

Por essa razão, a partir de julho o laboratório de química do Colégio Técnico Industrial (CTI) “Professor Isaac Portal Roldan” também estará disponível aos universitários, informa o diretor da Faculdade de Ciências, José Brás Barreto de Oliveira.

“O laboratório do CTI vai sofrer reforma. Vai ficar em condições plenas de atendimento. Também vamos providenciar a reforma do laboratório didático de química. Na última reunião (com chefia de departamento, coordenador de curso e alunos), eles (universitários) concordaram (em fazer as aulas lá)”, afirma Brás.

No entanto, Kuwana acredita que o laboratório do colégio técnico não comportará todos os alunos. “Além disso, ele fica distante da Unesp”, critica.

Ela e os colegas poderão utilizá-lo somente no período noturno, reitera o diretor do CTI, Edson Alberto de Antonio, para quem o espaço é ocioso neste horário pois não é usufruído pelos alunos do colégio.

Obra

“Entre não ter aula e ter, é melhor (usar o laboratório) no CTI. Não há nem haverá nenhum aluno sem aula. Mesmo que a reitoria liberasse a verba, levaria cerca de um ano para construí-lo”, destaca o diretor da Faculdade de Ciências.

A obra está orçada em R$ 900 mil e foi incluída no cronograma da Unesp há dois anos. Em meados do ano passado, o projeto do prédio foi concluído, mas os recursos para o início da construção não foram liberados pela reitoria por causa da queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A Unesp é mantida com 2,3% do tributo arrecadado mensalmente. No início do ano, o orçamento previa a alocação R$ 680 mil para cada faculdade (das três de Bauru) custear as despesas no transcorrer do ano.

“O reitor José Carlos Trindade está analisando a tendência de arrecadação para reavaliar o cronograma. O laboratório está entre as prioridades”, explica.

A informação não tranqüiliza os alunos, que também se queixam da precariedade do laboratório didático de química. “Falta reagente, alguns estão vencidos, não há climatização, o que é importante para os experimentos, e alguns critérios de segurança deixam a desejar”, diz a aluna Kuwana.

Brás confirma que as condições de segurança poderiam ser melhores, mas garante que não estão a ponto de colocar em risco a vida e a integridade física de alunos. Informa ainda que foram adquiridos R$ 4 mil em reagentes, que mesmo os vencidos permanecem estocados no local porque o processo de descarte deve seguir alguns procedimentos técnicos.

Apesar dos argumentos, os rumos da paralisação só serão discutidos amanhã, quando será realizada uma assembléia. Há pouco mais de um mês, os universitários promoveram um dia de paralisação para reivindicar a abertura de concurso público para contratar professores.

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