Tribuna do Leitor

Uma conversa com Maria Rita


| Tempo de leitura: 2 min

Estava curiosa para saber como era Bauru. Todos falavam tão bem da “cidade dos trilhos”, adotada por Pelé, progressista e modernista, terra de Mauro Rasi, mas nunca tive a oportunidade de conhecê-la. Até então. Tomei o avião em São Paulo no final da tarde do dia 16 de abril. Ao chegar em Bauru, fiquei assustada com o aeroporto: tão pequeno! Como será que os passageiros fazem quando chove? Deve ser difícil. Após o desembarque, segui em direção ao tal Centro de Convenções Mixage. Estranhei o fato de uma cidade tão desenvolvida, uma das mais ricas do país, não ter uma casa de shows sequer. As pessoas devem sofrer quando querem ver algum artista...

Enquanto estava no carro, me senti um pouco triste em não poder ver as nuances da cidade, já que a noite havia caído e a iluminação pública era bem precária, até mesmo na região central da cidade! Meu celular tocou e assim que peguei o aparelho senti um impulso dentro do carro: era um buraco na rua. Ou melhor, uma cratera. Por quê será que o povo desta cidade não reage? É impossível viver em um lugar assim!

Ao chegar no tal centro de convenções, fiquei pasma! Era um “mar” de cadeiras de metal, aquelas de bar. Não sabia que a estrutura seria tão precária. Mas, mesmo assim, “o show deve continuar”. Era para eu começar a cantar às 20h30, mas a entrada era tão pequena e desorganizada, que a fila dava voltas na quadra neste horário. Decidimos adiar o show para às 22h. Neste intervalo de tempo, a produção corria, pois faltava papel higiênico no banheiro, as pessoas não se achavam, a entrada não era agilizada...

Enfim, começamos. O público reagiu de forma primorosa, ignorando sabe Deus como toda a situação. Na metade do show, não agüentei e desabafei: - Nossa, que terra quente! Mas também, quase mil pessoas dentro de um local sem nem mesmo ventiladores. É o fim! Estava quase terminando quando ouvi um burburinho nas últimas fileiras, um princípio de tumulto.

Que povo mais estranho! Fiz até uma cara feia, nunca antes feita em um show meu. Fiquei decepcionada! Ao terminar, não via a hora de ir para o flat. Pelo menos lá, com minha cabeça fresca pelo ar condicionado, poderia pensar no que aconteceu com aquela Bauru tão idolatrada no passado...

Marcelo Ciamponi de Castro - RG 24.982.166-7

Comentários

Comentários