Turismo

Coimbra

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

As capas pretas dos universitários e o romance de Pedro e Inês continuam sendo os maiores atrativos de Coimbra, a “Capital do amor em Portugal”.

Pedro e Inês repousam frente a frente no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, distante 110 quilômetros dali, mas foi em Coimbra que os jovens amantes viveram uma das histórias de amor mais belas de todos os tempos.

O filho do rei Dom Afonso IV apaixonou-se por Inês de Castro, acompanhante da rainha Dona Constança, infanta de Castela, quando ainda era casado (as núpcias foram arranjadas por suas famílias). Tiveram quatro filhos e juraram amor eterno. Viúvo, Pedro queria se casar com Inês - naquela época as cortes e até mesmo a Igreja não se preocupavam com casos de adultério masculino que eram interpretados como “incontroláveis” - mas seu pai, temendo ingerências da Espanha (Inês era galega) e a futura reivindicação de um de seus filhos “bastardos” pela coroa, contatou três fidalgos - Pero Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco - para assassiná-la antes das núpcias.

Como o casal se encontrava na Quinta das Lágrimas, que na época era um mosteiro, o rei traçou um plano macabro. Inês seria atraída até lá na esperança de reencontrar o amado que, na verdade, estaria fora, caçando.

Os carrascos assassinaram brutalmente a jovem que foi enterrada, teve seu corpo exumado e se tornou rainha depois de morta. Pedro exigiu que os assassinos lhe prestassem todas as reverências e beijassem os ossos de suas mãos. Em seguida, proclamou-a rainha e matou com as próprias mãos seus opositores. O coração de dois dos carrascos foram arrancados do peito pelas costas. O que conseguiu fugir nunca teve sossego sendo atormentado o tempo todo pelo fantasma de Inês.

Hoje, a rainha proclamada morta e o rei repousam no mosteiro esperando o dia do juízo final. Pedro exigiu que os jazigos fossem colocados frente a frente para que quando acordarem do sonho eterno possam imediatamente se reencontrar.

A história verídica de uma mulher que se tornou rainha depois de morta fez com que a Quinta das Lágrimas se tornasse um dos mais disputados pontos turísticos da cidade. Hoje, abriga uma elegante pousada - em Portugal o termo pousada designa um hotel de luxo, histórico - pertencente à cadeia de charme Relais & Châteaux com jardins finamente cuidados.

O sangue e a fonte

Dentro dos jardins é que fica a fonte do amor. A água cristalina escorre das pedras e, em determinado trecho, se destaca pelo fundo vermelho-sangue. Dizem que é a marca de seu brutal assassinato. O sangue que nunca escoou. Acreditando ou não - o tom avermelhado ocorre em virtude de um mineral presente na composição da rocha -, os visitantes fazem questão de visitar a fonte e pedir a “santa” proteção para amores atuais ou futuros.

A tragédia romântica de Pedro e Inês aconteceu no século 14 e foi fartamente documentada por Luís Vaz de Camões, em “Os Lusíadas”, Victor Hugo e Ezra Pound.

Pedro foi o oitavo rei de Portugal. Reinou por uma década, de 1357 a 1367, e foi considerado um competente administrador. Era chamado de “o justiceiro”, porque, além de matar os algozes de sua amada, açoitava também com suas próprias mãos ladrões e assassinos, fossem ricos ou pobres. Também costumava ajudar os necessitados, distribuindo-lhes dinheiro e alimento. Gostava de festas e de bailar com os humildes para esquecer o irremediável exclamando: “Inês é morta!”.

Perto da Quinta das Lágrimas fica o Parque Portugal dos Pequenitos. Dentro, o visitante que estiver acompanhado de crianças encontrará monumentos portugueses, casas típicas e colônias em miniatura. Parecido com o Minimundo de Gramado, no Rio Grande do Sul.

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